Surto de sarampo no Brasil: como identificar e evitar a doença?

11 de julho de 2018

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POR Ligia Lotério

O recente surto de sarampo tem assustado moradores de diversos estados brasileiros, em especial os da Região Norte. O problema preocupa pela doença ser altamente contagiosa, se manifestar de forma grave e até matar. Saiba como identificar e evitá-la a seguir:

Surto de sarampo 2018

De acordo com a Vigilância Sanitária, a onda de quadros teve início com a vinda de venezuelanos infectados ao País, o que resultou na confirmação de mais de 300 casos do acometimento no Amazonas e 200 em Roraima.

A doença era considerada erradicada no Brasil desde 2016, mas dados recentes alertam que os casos voltaram à tona e, inclusive, resultaram em ao menos três mortes.

Transmissão de sarampo

Vírus do surto de sarampo.
Kateryna Kon/Shutterstock

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o contágio do sarampo ocorre por meio de tosse, espirros, fala ou respiração, o que explica a rapidez e facilidade de transmissão.

Além disso, gotículas contaminadas dispersas no ar – fruto da respiração, por exemplo – podem permanecer ativas por algumas horas, aumentado ainda mais o risco de contágio.

A pessoa infectada com sarampo transmite a doença a partir de quatro dias antes de as erupções aparecerem (quando há febre alta e mal-estar) até quatro dias após estas manchas surgirem.

Sinais e sintomas de sarampo

Bebê vítima do surto de sarampo.
adriaticfoto/Shutterstock

De acordo com a Mayo Clinic, os sinais e sintomas do sarampo surgem de 10 a 14 dias – período de incubação – após a exposição ao vírus e geralmente incluem:

  • Febre;
  • Tosse seca;
  • Coriza;
  • Congestão nasal;
  • Mal-estar;
  • Dor de garganta;
  • Olhos inflamados e irritados;
  • Pequenos pontos brancos com centros branco-azulados sobre um fundo vermelho encontrados dentro da boca, no revestimento interno da bochecha – também chamados de sinais de Koplik;
  • Erupções avermelhadas na pele que começam no rosto e descem em direção aos pés.

Complicações

Sarampo é uma doença perigosa que pode resultar em otite média aguda; pneumonia bacteriana; laringite; doenças cardíacas e neurológicas – sendo a mais grave a panencefalite esclerosante subaguda, acometimento causado pela infecção do vírus no cérebro que pode gerar descontrole de todas as funções do organismo e morte.

Grupo de risco

As pessoas que têm mais risco de serem vítimas do surto de sarampo são bebês a adultos de 49 anos de idade. Profissionais que trabalham com turismo, aviação e sexo estão mais expostos ao problema.

Vacina de sarampo

Caderneta de vacinação para crianças, adultos e idosos

A única forma de prevenção do sarampo é por meio da vacina, que está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede particular:

Tríplice viral

O nome desta vacina contra sarampo é explicado pelo fato de ela imunizar contra a doença, a rubéola e a caxumba.

A primeira dose é indicada para bebês de 12 a 15 meses e a segunda para crianças de quatro e seis anos de idade. Crianças de até um ano cuja mãe foi vacinada antes da gestação estão imunizadas devido a anticorpos passados pelo leite materno.

Adolescentes e adultos de até 49 anos que não foram imunizados na infância também podem aproveitar a vacina gratuita.

É segura?

De acordo com o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações, a dose é segura pois é feita com o próprio vírus enfraquecido, ou seja, sem potencial de causar a doença.

Contudo, podem surgir reações adversas à vacina de sarampo, tais como febre, coriza e tosse, que costumam passar após alguns dias.

Quem não deve tomar?

Gestantes, indivíduos imunossuprimidos e crianças menores de seis meses não devem tomar a vacina.

Neste caso, as únicas recomendações para fugir do surto de sarampo é evitar aglomerações e contato com indivíduos infectados.