Remédio contra pressão alta pode causar câncer de pele, diz Anvisa

04 de dezembro de 2018

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POR Bruno Botelho dos Santos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta para o aumento do risco de câncer de pele devido ao uso cumulativo de hidroclorotiazida, medicamento utilizado para tratamento da hipertensão arterial e para controle de edemas.

Segundo a Anvisa, estudos epidemiológicos demonstraram uma associação direta entre o uso do medicamento e o câncer de pele não-melanoma – o mais frequente tumor de pele, que ocorre principalmente pela exposição solar desprotegida.

Remédio de hipertensão pode causar câncer

A análise do estudo envolveu 71.533 casos de carcinoma basocelular – tipo mais comum de câncer de pele – e 8.629 casos de carcinoma de células escamosas pareados – segundo tipo mais comum.

Resultado do estudo

Foi possível observar uma clara relação dose-resposta cumulativa – quando o problema é causado por medicamento ou substância –, tanto para o carcinoma basocelular como para o de células escamosas.

A explicação é que ações fotossensibilizadoras da hidroclorotiazida, que facilitam a sua absorção pela pele, podem atuar como um possível mecanismo para a doença.

A associação da Anvisa foi considerada plausível, levando em conta as recomendações do Comitê de Avaliação de Riscos em Farmacovigilância (Pharmacovigilance Risk Assessment Committee —PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos (European Medicines Agency — EMA).

Recomendações

Como recomendação, a Anvisa solicitou que profissionais de saúde alertem pessoas tratadas com hidroclorotiazida sobre o risco de câncer de pele não-melanoma, principalmente as que já fazem uso da substância em longo prazo.

Os pacientes também devem ser orientados a verificar regularmente a pele e, caso haja qualquer lesão suspeita, notificar imediatamente o profissional para que aconteça a análise adequada. Ainda é necessário adotar medidas preventivas para minimizar o risco de câncer de pele, como limitar a exposição à luz solar e aos raios ultravioleta.

O uso de hidroclorotiazida pode ser revisto em pacientes com histórico de câncer de pele não-melanoma.

Por fim, a orientação geral é que o tratamento não seja interrompido antes que os pacientes consultem seus médicos.

A Anvisa irá solicitar imediatamente a inclusão das novas informações de segurança nas bulas de todos os medicamentos que contêm o princípio ativo hidroclorotiazida.