Cortina de fumaça oriunda de queimadas é perigosa para a saúde, dizem médicos

Atualizado em 21 de agosto de 2019

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O Sudeste brasileiro viu descer um corredor de fumaça na última segunda-feira (20), devido à união de uma frente fria com resíduos oriundos de queimadas na região no Norte e Centro-Oeste do País. O fenômeno fez com que o céu escurecesse em plena tarde. Além do impacto ambiental, a ocorrência pode causar sérios prejuízos à saúde dos brasileiros. Entenda:

Cortina de fumaça em São Paulo

As queimadas em florestas costumam se intensificar nos meses de agosto e setembro devido ao tempo seco inerente ao inverno, mas não é comum que a fumaça proveniente delas se dissipe para outros estados, como ocorreu na tarde da segunda-feira.

O meterologista Franco Nadal Villela, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explicou à Folha de S. Paulo que o céu escuro em plena tarde é fruto de ventos fortes que favoreceram a vinda de fumaça de incêndios silvestres de grande magnitude do Paraguai e do Mato Grosso do Sul para São Paulo. “O material ajuda na formação das nuvens, portanto torna céu mais escuro”, explicou.

Os compostos emitidos na fumaça não passam inertes aos seres humanos: eles se instalam nas vias aéreas e, dependendo da quantidade inalada, causam problemas de saúde.

Efeitos das queimadas na saúde

O pneumologista Franco Martins, da Faculdade de Medicina do ABC, explica que, a fumaça com material tóxico dispersado, como presenciada no Sudeste brasileiro, apresenta risco menor que o contato direto com os poluentes da queimada. Contudo, ainda sim há riscos.

Na maioria das vezes, os efeitos da fumaça na saúde não são imediatos. Além disso, eles dependem da concentração do material tóxico na atmosfera. Em maior parte, afetam as vias respiratórias, com agravamento de doenças pré-existente, como asma, bronquite e até câncer de pulmão.

A poluição ainda pode gerar efeitos cardiológicos, dependendo da quantidade inalada, como insuficiência cardíaca e infarto.

Grupos de risco

Qualquer pessoa que tenha contato direto com resíduos de queimadas pode apresentar problemas de saúde, porém a sensibilidade é maior em alguns grupos de risco, tais como:

  • Crianças: pode haver aumento de crise de asma e pneumonia, internações hospitalares e mortalidade por doenças do aparelho respiratório;
  • Idosos: pode haver aumento do risco de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC);
  • Pessoas com doenças respiratórias: estado de saúde pode ser agravado pela fumaça.

“O número de internações durante queimadas aumenta até três vezes”, conta o pneumologista Franco Martins.

Como amenizar os efeitos à saúde?

Pessoas expostas podem utilizar máscaras ao ar livre perante a observação de ar poluído. Já em lugares fechados, o ambiente pode ser umidificado com baldes ou toalhas molhadas para diminuir a presença dos poluentes.

Fontes

Pneumologista Alberto Cukier, do Hospital Santa Catarina – CRM 20443

Pneumologista Franco Martins, da Faculdade de Medicina do ABC – CRM 138476