Pressão alta na gravidez eleva chances de obesidade infantil, diz estudo

Atualizado em 17 de abril de 2019

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Não é novidade para ninguém que pressão alta na gravidez pode representar uma série de perigos tanto para a mãe quanto para o bebê. Um novo estudo, porém, aponta que o problema pode estar relacionado também a um risco acrescido de obesidade infantil.

É muito importante ficar de olho na pressão arterial durante todo o período de gestação. Segundo algumas pesquisas, uma alimentação desequilibrada e até mesmo a má formação da placenta podem levar as gestantes a um quadro hipertenso. Em geral, porém, a má adaptação do organismo da mulher à gravidez pode fazer com que ela desenvolva o problema mesmo sem nunca ter tido hipertensão na vida.

A ausência de um tratamento adequado pode levar a diversas complicações de saúde, que incluem pré-eclâmpsia, indução do parto e até mesmo o aborto. Agora, pesquisadores chineses também descobriram que a pressão alta na gravidez pode aumentar as chances de bebês desenvolverem obesidade ainda na infância — mais um motivo para cuidar da saúde e estar sempre em contato com um médico.

Como foi feito o estudo?

Ao todo, os pesquisadores examinaram 88.406 casos de mães que tiveram pressão alta durante a gestação. Eles mediram a pressão arterial delas a cada trimestre da gravidez e submeteram as crianças a diversos exames médicos durante os 4 e 7 anos. O resultado foi surpreendente: 10% das crianças estavam com sobrepeso ou obesidade.

Resultados individuais reforçaram a hipótese dos cientistas. Segundo o estudo, quanto mais tarde o quadro de pressão alta se dá na gestação, mais chances as crianças têm de desenvolver problemas de peso.

Crianças de mães que tiveram pressão arterial elevada durante o segundo trimestre de gestação, por exemplo, apresentavam 49% mais chances de ter obesidade ou excesso de peso. Já as crianças cujas mães tiveram hipertensão no último trimestre têm 63% mais riscos de desenvolverem os mesmos problemas de peso.

Estudo pioneiro

O estudo, conduzido pelo pesquisador Ju-Sheng Zheng, foi o primeiro a mostrar a relação entre pressão alta durante a gravidez e obesidade infantil. Ele foi publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em setembro deste ano.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), cerca de 4% das mulheres norte-americanas têm pressão alta na gravidez. Para elas, é recomendado monitorar frequentemente a sua pressão arterial com especialistas, e assim evitar complicações no decorrer da gestação e reduzir a probabilidade de seus filhos serem afetados.

Sintomas de pressão alta na gravidez

A pressão alta, ou hipertensão, é caracterizada quando a pressão arterial é igual ou superior a 14/9 — ou 140 mm/Hg sistólica por 90 mm/Hg* diastólica, na linguagem técnica. Os sintomas incluem:

  • Inchaço em partes do corpo, principalmente em pernas e braços, mas que também pode atingir a cabeça;
  • Dores constantes de cabeça e na nuca, além de dores abdominais;
  • Visão embaralhada e sensibilidade à luz;
  • Espumas na urina;
  • Em estágio mais avançado, a paciente pode apresentar convulsões.
* mm/Hg = unidade de medida convencional para medir pressão

Como saber os valores da pressão arterial?

O Joint Commission International (JCI), um organismo independente especializado em normas técnicas de unidades de saúde nos Estados Unidos, definiu um padrão para os valores da pressão arterial, que você pode conferir abaixo:

HipertensãoIgual ou superior a 14/9 (ou 140 mm/Hg sistólica por 90 mm/Hg diastólica)
NormalIgual ou inferior a 12/9 (ou 120 mm/Hg sistólica por 90 mm/Hg diastólica)
Pré-hipertensãoDe 12 a 13,9 (ou 120 a 139 sistólica por 8/8,9, ou 80 a 89 diastólica)
HipotensãoInferior a 9/6 (ou 90 mm/Hg sistólica por 60 mm/Hg diastólica)