Novo tratamento para câncer de pulmão é aprovado no Brasil

02 de julho de 2019

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POR Grupo Oncoclínicas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento para câncer de pulmão de pequenas células, doença considerada altamente agressiva e que, segundo especialistas, não apresentava avanços nas pesquisas há 30 anos.

Trata-se do medicamento imunoterápico atezolizumabe, que deverá ser receitado ao paciente que se encontra no estágio inicial do problema.

No Brasil, essa terapia já é utilizada para tratar o câncer de pulmão de não pequenas células, além de tumores no sistema urinário. No último mês, foi liberada também para o tratamento de câncer de mama triplo-negativo.

Tabagismo aparece em 90% dos casos

Cerca de 90% dos pacientes têm o hábito de fumar. Entre os outros 10%, ⅓ são fumantes passivos, responsáveis por ampliar o risco do surgimento da doença em 20 vezes mundialmente. Além disso, o Brasil deverá somar 31.270 novos casos de tumores pulmonares em 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O tabagismo pode acarretar o desenvolvimento de outros 13 tipos de câncer, sendo eles de boca, de laringe, faringe, esôfago, pâncreas, estômago, intestino, rim, fígado, colo de útero, ovário, bexiga e alguns tipo de leucemia.

Quais são os sintomas?

De acordo com a oncologista Mariana Laloni, do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas, é comum os pacientes com câncer de pulmão apresentarem sintomas maléficos ao aparelho respiratório, como tosse, dor no peito e falta de ar.

“Outros sintomas, como perda de peso e fraqueza, também podem surgir. O tumor é diagnosticado por acaso em cerca de 15% dos casos, como quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, ficar atento aos primeiros sintomas é essencial para que a doença seja identificada precocemente”, diz.

Tipos

A médica ressalta que existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de não pequenas células. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma, que atinge 40% dos doentes”, explica.

Como é o tratamento?

Há três opções de tratamentos do câncer de pulmão: cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia) e radioterapia.

Os procedimentos cirúrgicos menos invasivos, como a Cirurgia Torácica Vídeo Assistida (CTVA), são realizados com menos tempo de internação e trazem um retorno mais rápido do paciente às suas atividades cotidianas. No entanto, a indicação da cirurgia depende de algumas características do tumor, como o estadiamento, tipo, tamanho e localização, além do estado geral do paciente.

Após a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são os procedimentos indicados para destruírem as células tumorais microscópicas residuais, ou as que ainda estejam circulando pelo sangue.

A combinação de tratamento sistêmico e radioterapia também pode ser realizada logo no início do tratamento para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando o procedimento é contraindicado. Já a radioterapia isolada é utilizada algumas vezes para diminuir alguns sintomas, como falta de ar e dor.

No entanto, o grande avanço dos últimos anos é a imunoterapia. O tumor, desde a sua origem, é reconhecido pelo organismo como um corpo estranho. No entanto, com o passar do tempo, esse tumor passa a se disfarçar para o sistema imunológico e começa a crescer. A partir disso, a imunoterapia passa a ter o papel de reativar a resposta imunológica contra o agente agressor, bloqueando os fatores que inibem o sistema imunológico. “Ela estimula a atuação dos linfócitos e faz com que eles passem a reconhecer o tumor como um corpo estranho”, finaliza a médica Mariana.