10 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista: motivos alarmantes

19 de fevereiro de 2019

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Aproximadamente 10,5 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista. O dado foi revelado por uma pesquisa inédita realizada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), em parceria com o Datafolha. As razões para evitar a especialidade são diversas e apontam tabus da população feminina.

Brasileiras que não vão ao ginecologista

O levantamento intitulado “Expectativa da Mulher Brasileira sobre sua vida sexual e reprodutiva: as relações dos ginecologistas e obstetras com suas pacientes” entrevistou 1.089 mulheres de 16 anos ou mais e residentes de cidades do interior e capitais de todo o Brasil.

Oito a cada dez entrevistadas consideram que a especialidade médica mais importante para a saúde feminina é a ginecologia. Em seguida, foram mencionadas a clínica geral e a cardiologia.

Aproximadamente nove a cada dez mulheres declararam que costumam ir ao ginecologista pelo menos uma vez ao ano. Contudo, 5% nunca foram e 8% não costumam ir ao especialista, totalizando 10,5 milhões de brasileiras.

Razões

As razões para evitar o médico são bastante assustadoras e preocupantes:

31% – Está saudável, então não precisa ir ao médico

É um erro achar que não é necessário obter acompanhamento médico apenas por não sentir sintomas anormais. É exatamente o contrário, visto que consultas periódicas podem detectar problema de saúde ainda imperceptíveis e, assim, tratá-los previamente, de modo a evitar agravamentos.

22% – Não é importante

A ideia de que a especialidade não é importante representa um grave risco à saúde, visto que a ginecologia é responsável por cuidar de todo o organismo feminino, e não somente da parte reprodutiva.

12% – Falta de acesso

Aproximadamente uma a cada dez mulheres declaram não ter acesso ao ginecologista, o que representa um problema de saúde pública. Para driblar o fato, é possível recorrer a Unidades Básicas de Atendimento (UBS) e, caso haja possibilidade financeira, clínicas particulares com valores acessíveis, como as voltadas à classe C.

11% – Vergonha ou medo

Ainda há mulheres que não vão ao ginecologista por vergonha ou medo. Para mudar tal pensamento, é essencial entender que este profissional
é formado e treinado para oferecer, além de serviços médicos, acolhimento, confiança e conselhos, sempre respeitando as escolhas da paciente e evitando julgamentos e preconceitos.

24% – Outros motivos

Falta de tempo e medo de detectar algum problema de saúde são alguns dos outros motivos pelos quais as brasileiras não vão ao ginecologista. Para superá-los, é preciso pensar que saúde sempre deve vir em primeiro lugar e que postergar cuidados com ela dá chance a doenças graves e até mesmo fatais.

Importância de ir ao ginecologista

A pesquisa concluiu que informações e conscientização sobre a importância do acompanhamento ginecológico são mais difundidas entre as mulheres mais escolarizadas e com maior renda familiar.

Além disso, o estudo mostrou a importância de cuidar adequadamente da saúde sexual e reprodutiva desde a primeira menstruação e em longo prazo. Deste modo, é possível fornecer maior qualidade de vida, acompanhando necessidades e questionamentos, além de prevenir e detectar precocemente doenças e até mesmo evitar casos de gravidezes não planejadas.