Anticoncepcional masculino é finalmente criado e pode ser revertido com luz

14 de fevereiro de 2019

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POR Bruno Botelho dos Santos

Cientistas desenvolveram um método anticoncepcional masculino de média duração e que pode ser revertido por luz infravermelha. Essa é uma descoberta importante para os homens, já que existem apenas duas opções de contracepção masculina – uma de curto prazo, que é a camisinha, e outra opção definitiva, a vasectomia.

Contraceptivo masculino

O estudo, publicado no jornal AcsNano, foi desenvolvido por cientistas da Universidade de Nanchang, na China, e testado em ratos.

O método foi inspirado em drinks alcoólicos servidos em camadas de bebidas, já que quando eram aquecidos se misturavam e formavam um coquetel.

Como funciona?

O contraceptivo foi aplicado no ducto deferente dos ratos – canal muscular em que passam os espermatozoides – por meio de um processo sequencial de quatro camadas:

  • Hidrogel de alginato de cálcio, que forma uma barreira física para o esperma
  • Nanopartículas de ouro, que aquecem quando irradiadas com luz infravermelha
  • Ácido etilenodiaminotetracético (EDTA), substância que decompõe o hidrogel e mata os espermatozoides
  • Por fim, mais uma camada de nanopartículas de ouro

Essa disposição fez com que as substâncias bloqueassem a passagem dos espermatozoides por um período de dois meses, o que impediu a reprodução dos animais.

Reversão por luz infravermelha

A ação das substâncias foi prontamente eliminada após a exposição dos animais à luz infravermelha, que causou dissolução das quatro camadas, de modo a liberar caminho para os espermatozoides circularem normalmente.

Quando chegará ao mercado?

O estudo ofereceu uma maneira contraceptiva eficaz e reversível com duração de médio prazo (2 a 20 semanas).

Contudo, o método ainda precisa ser testado em seres humanos para ter segurança e eficácia confirmadas e, só então, chegará ao mercado farmacêutico.

De qualquer forma, o novo anticoncepcional masculino pode ser uma alternativa reversível que permitirá que a contracepção de médio prazo não seja somente atribuída a mulheres.