Álcool mata mais que crack no Brasil: 2,3 milhões são dependentes

14 de agosto de 2019

|

POR Bruno Botelho dos Santos

Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que a maioria dos brasileiros acredita que o crack é a droga que mais leva a mortes em todo o mundo, o que não é verdade. A substância psicoativa mais perigosa na verdade é o álcool.

O 3° Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira ainda mostra que mais da metade da população já consumiu bebidas alcoólicas ao menos uma vez na vida e 2,3 milhões de pessoas apresentam critérios para dependência de álcool. Entenda:

Álcool mata mais que crack

O levantamento, cujos dados foram coletados entre maio e outubro de 2015, analisou entrevistas dadas por 17 mil brasileiros com idade entre 12 e 65 anos para avaliar os parâmetros epidemiológicos do uso de drogas.

Segundo a pesquisa, 44,5% da amostra considera o crack como a droga causadora do maior número de mortes no País. Só que, de acordo com o coordenador do levantamento e pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), Francisco Inácio Bastos, os principais estudos sobre o tema não deixam dúvidas de que o álcool é a substância mais associada, direta ou indiretamente, a danos à saúde que levam à morte.

“Os jovens brasileiros estão consumindo drogas com maior potencial de provocar danos e riscos, como o próprio crack. Além disso, há tendência ao poliuso (uso simultâneo de drogas diferentes)”, complementa o Bastos.

Perigoso uso de álcool

A pesquisa também revelou que mais da metade da população brasileira de 12 a 65 anos já consumiu bebida alcoólica alguma vez na vida e 46 milhões (30,1%) fizeram uso de pelo menos uma dose nos 30 dias anteriores à entrevista.

Além disso, aproximadamente 2,3 milhões de pessoas apresentaram critérios para dependência de álcool.

O álcool também foi associado a diferentes formas de violência:

  • 14% dos homens e 1,8% das mulheres dirigiram após consumir bebida alcoólica, nos 12 meses anteriores à entrevista, sendo que 0,7% esteve envolvido em acidentes de trânsito sob o efeito de álcool ;
  • 4,4 milhões de pessoas discutiram com alguém sob efeito de álcool nos 12 meses anteriores à entrevista, sendo 2,9 milhões homens e 1,5 milhão mulheres;
  • 1,1% dos homens e 0,3% das mulheres reportaram que destruíram ou quebraram algo que não era seu sob efeito de álcool.

Maconha é a droga ilícita mais consumida

O levantamento ainda revelou que 3,2% dos brasileiros usaram substâncias ilícitas nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que equivale a 4,9 milhões de pessoas.

Entre jovens de 18 a 24 anos, 7,4% consumiram drogas ilegais no ano anterior ao levantamento.

A substância ilícita mais usada no Brasil é a maconha: 7,7% das pessoas de 12 a 65 anos já a experimentaram ao menos uma vez na vida. Em segundo lugar fica a cocaína, com 3,1% de usuários.