Mastite: o que é, sintomas e como tratar a infecção nas mamas

30 de abril de 2019

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POR Mariana Amorim

Mamas inchadas, endurecidas, quentes ou avermelhadas são sinais que sugerem o quadro de mastite. Trata-se de uma condição que afeta majoritariamente mulheres que estão ou não amamentando. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência varia de 10% a 33% no mundo todo.

Confira a seguir o que causa, quais os sintomas e tratamentos para mastite.

O que é mastite?

Mastite é um processo inflamatório na mama que pode ou não se tornar uma infecção de ordem bacteriana.

A maior incidência é em mães que acabaram de parir e estão com dificuldade para amamentar. No entanto, o problema pode acontecer em qualquer fase da vida da mulher e do homem devido ao possível contato da mama com bactérias.

Em grande parte dos casos, afeta apenas uma das mamas e os sintomas se desenvolvem em menos de dois dias.

Tipos

Existem basicamente dois tipos de mastite:

Mastite lactacional

Bebê sendo amamentado no colo da mãe.
Dmytro Vietrov/Shutterstock

É a mais comum. Ocorre em decorrência de problemas na amamentação.

Mastite não lactacional

Os casos de mastite não lactacional costumam ser raros. São causados por doenças como diabetes e tuberculose, bem como tabagismo e alguns tipos de fungo.

Causas

A pega incorreta do bebê na hora de amamentar é um dos principais fatores que desencadeiam a mastite lactacional. A explicação é que a sucção errada propicia o surgimento de fissuras no mamilo, as quais favorecem a entrada de bactérias no organismo da mulher.

Além disso, por conta do desconforto em amamentar, a mãe acaba oferecendo somente o peito menos dolorido e, deste modo, acumulando o leite na outra mama, a qual acaba tomada por bactérias.

Já a mastite não lactacional pode acontecer por hábitos de vida, como o tabagismo, que favorecem a formação de inflamações ao redor da aréola. Outras situações incluem infecção por fungos ou tuberculose, que podem causar uma inflamação chamada granulomatose, pois ao toque parece que a mama está toda granulada.

Fatores de risco

Existem situações no pós-parto que favorecer o aparecimento da mastite na mama.

Além de se acostumarem com os cuidados com o recém-nascido, as mulheres puérperas enfrentam baixas hormonais, o que torna comum que o bebê mame de forma incorreta. Como consequência, surgem fissuras nos mamilos que prejudicam a extração do leite e geram mastite.

Para além desses fatores, existem outros:

  • Tabagismo
  • Diabetes
  • Aleitamento (principalmente na primeira gestação)
  • Fissuras nos mamilos
  • Stress
  • Roupas apertadas na região das mamas

Sinais e sintomas

  • Mama inchada, endurecida, quente e avermelhada
  • Febre acima de 38ºC
  • Calafrios
  • Mal-estar
  • Dor de cabeça
  • Náuseas

Diagnóstico

O diagnóstico é obtido por meio de exame clínico feito por um ginecologista e/ou mastologista.

O especialista ainda pode pedir exames de cultura de secreção para identificar a bactéria presente na mama, além de exames de imagem, como
ultrassom, para avaliar presença de abscessos.

Mastite tem cura?

Sim. Especialmente se identificada e tratada logo no início.

Tratamentos para mastite

Compressas e ordenhas

As compressas frias ajudam a “desempedrar” o líquido de dentro das mamas para, assim, liberá-lo por meio da ordenha.

Medicamentos

O especialista pode receitar analgésicos para aliviar os incômodos. No entanto, se houver secreção será preciso fazer uso de antibióticos.

Prognóstico

Embora seja uma condição bem conhecida no meio médico e com muitos recursos para tratamento, é preciso cuidado pois a mastite pode evoluir para abscesso mamário e necessitar até mesmo de drenagem cirúrgica.

Complicações

As complicações podem evoluir para lesões de pele e perda da capacidade de amamentar.

Prevenção

No caso lactacional, a melhor forma de prevenção é buscar orientação profissional para o início da amamentação. Além disso, o bebê sempre deve esvaziar uma mama por completo até pegar a outra, de forma que alterne os seios entre as sessões. Variar as posições das mamadas também ajuda na retirada do leite, assim como amamentar muitas vezes ao dia.

Nos casos de mastite não lactacional, a ideia é mudar o estilo de vida e evitar o fumo, o sedentarismo, a alimentação desequilibrada e a diabetes descontrolada.

Fontes

Mastologista Alexandre Pupo Nogueira, do Hospital Sírio Libanês. CRM 84.414

NHS. Mastitis. Disponível em: www.nhs.uk/conditions/mastitis