Pole dance: esporte é ótima alternativa para saúde e corpo

12 de junho de 2018

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POR Lucas Coelho

Pouco tempo atrás, começaríamos este texto tratando o pole dance como uma atividade, uma dança, uma manifestação artística ou qualquer outra denominação. Porém, desde outubro de 2017, o Gaisf (Global Association of International Sports Federations), a associação das federações esportivas internacionais, passou a reconhecê-lo como um esporte.

Ótima forma de fortalecer todo o corpo, a prática desperta alguma polêmica por sua forte ligação com a dança sensual nos clubes de strip-tease no Canadá e Estados Unidos. Foi assim que muitos se acostumaram a ver a modalidade retratada, principalmente nos filmes e na televisão.

Apesar de sua origem estar relacionada a atividades que datam de séculos atrás – desde de um tipo de yoga indiana do século 12 a celebrações pagãs da Renascença europeia – sua popularização na sociedade atual só aconteceu por causa do seu componente sensual.

Mesmo com toda essas discussões e preconceitos, é inegável que o pole dance é uma atividade bastante recomendada para:

  • Fortalecer os músculos;
  • Trazer mais flexibilidade e coordenação;
  • Ajudar a melhorar a confiança de quem pratica.

Quais tipos existem?

É possível encontrar diversos nomes para aulas relacionadas ao pole dance. Nos últimos anos, com o interesse maior na parte física, passaram a surgir modalidades chamadas de pole fitness. A diferença maior é que, nesse caso, o foco é apenas nos exercícios.

Existem ainda aulas que levam o nome de pole dance, mas incorporam movimentos mais lúdicos, sem necessariamente se relacionar à sensualidade. Por último, é possível encontrar as aulas geralmente denominadas “exóticas”, que incluem os movimentos sensuais.

Benefícios do pole dance

Antes de mais nada, é preciso entender que o pole dance exige bastante do corpo. É um exercício de alta intensidade com o seu foco principal sendo a força. Ou seja, ele trabalha e fortalece os músculos de maneira geral.

Apesar de obviamente queimar calorias e auxiliar no processo de perda de peso, esse não é o seu principal benefício nem objetivo.

Força nos braços

Apesar de muitas pessoas associarem a prática com habilidade e força nas pernas, na realidade trata-se de uma atividade que requer muito mais dos músculos superiores: do core (abdômen, quadril, pelve e lombar), dos braços, ombros e das costas. Os braços são as primeiras ferramentas utilizadas para realizar os movimentos, e a força deles é o primeiro fator determinante.

Core trabalhado

Se quiser ficar com a barriga chapada, o pole dance é uma ótima alternativa. Como dissemos, atividades complementares podem ser necessárias para perder gordura localizada na região, mas o músculo do abdômen estará muito bem fortalecido. Ele é muito recomendado para definição do abdômen e aumentar a força dos quadris e na lombar.

Diminui lesões cotidianas

Justamente por trabalhar bastante o core e as costas, a chance de lesões de rotina – por causa de postura inadequada, carregar peso ou um simples “mal jeito” – reduz bastante. Isso acontece não só por conta da força maior que irá proteger a coluna, mas também porque o esporte encoraja uma postura mais correta.

Flexibilidade e equilíbrio

Os músculos das pernas também são bastante exigidos, mas é preciso ter também principalmente bastante coordenação e flexibilidade para realizar os movimentos da maneira certa. Isso exige muito controle e alongamento, que são adquiridos através das aulas.

Além destes benefícios, vale citar que atender regularmente às aulas de pole dance ajuda a melhorar sua saúde de maneira geral, seja por tirar pessoas do sedentarismo, encorajar a socialização durante as aulas ou por melhorar a autoconfiança – este, inclusive, é um aspecto comumente citado por quem realiza a modalidade.

Para quem é indicado?

Pessoas de qualquer idade e peso podem praticar. Algumas vezes pode ocorrer um receio por parte de quem está obeso, pois existe o medo de não conseguir realizar os movimentos. Só que isso não deve ser uma preocupação, pois é possível iniciar as aulas da mesma forma.

Apesar de ser um esporte bem exigente, não significa que só quem está completamente em forma possa praticá-lo, pois os músculos conseguem ser trabalhados em qualquer situação.

Experiência pessoal

Em fevereiro de 2017, a designer Vanessa Guerrero (29), sofreu uma queda enquanto praticava tecido acrobático – esporte que já fazia há seis anos – e sofreu uma lesão na cervical. Desde então, passou para o pole dance, por representar um risco menor para a coluna. “Apesar de as pessoas enxergarem como algo sensual, eu vejo como um esporte. Faço porque gosto da arte”, afirma Vanessa.

 

Após um ano e meio praticando, ela garante estar satisfeita. “Adquirimos muita força no braço, perna e abdômen, de tudo um pouco e é claramente visível isso.”

E homens?

Apesar de ser geralmente encarada como uma atividade feminina, não é incomum ver homens praticando e quebrando esse preconceito.

O russo Evgeny Greshilov é, talvez, a figura masculina mais proeminente na prática. Três vezes campeão mundial da modalidade, ele é fundador da Open Dance Academy, um site que fornece aulas online de pole dance. Portanto, mesmo sendo minoria entre os praticantes, os homens também podem e devem aproveitar os benefícios deste esporte.

 

Dúvidas sobre a prática

Contraindicações

A princípio, não há nenhuma contraindicação para pessoas que não apresentem problemas físicos específicos, como lesão nos ombros, por exemplo, já que eles são bastante exigidos. É importante consultar um especialista, seja um profissional de educação física, fisioterapeuta ou algum outro médico para saber exatamente quais as suas condições.

As primeiras aulas

Como já dissemos, o corpo é bastante exigido. Então, é comum que após as primeiras aulas a pessoa fique dolorida, especialmente nos braços, pernas e abdômen. É importante não forçar no início com uma aula atrás da outra, dando tempo para os músculos se recuperarem entre as sessões.

Além disso, a pele também precisa se acostumar com a fricção junto ao poste. Portanto, alguma irritação também deve acontecer, mas não se preocupe, após cinco ou seis aulas o corpo já deverá estar habituado.

O primeiro movimento que qualquer pessoa irá aprender é como subir no pole e se manter nele com os braços livres. Outro movimento bastante básico é o chamado “sit”, que envolve dobrar a perna para trás e passar o tronco para a frente do poste. Apesar de parecerem simples, são exercícios que irão exigir bastante força também do abdômen.

“As aulas iniciais são bem difíceis, exigem muito do seu corpo”, lembra Vanessa. “Para mim, o fato de eu já fazer Tecido Acrobático ajudou bastante, eu já tinha a força, mas você vê pessoas de todos os tipos nas aulas, e todo mundo pega o jeito com o tempo.”

O que vestir?

Não adianta querer se cobrir quando for treinar. O contato do corpo com a barra é um fator fundamental para os exercícios, pois você não pode escorregar. Portanto, mulheres geralmente utilizam um top e shorts curtos de academia e os homens apenas shorts mais colados. Se for uma aula mais exótica, é possível que as mulheres também utilizem saltos.

Quanto custa?

Os preços variam bastante. É possível encontrar estúdios que forneçam as aulas, mas elas também estão se tornando cada vez mais comuns nas academias. A partir dos R$50 a aula, já se consegue realizar uma boa sessão, com pacotes mensais saindo mais baratos do que os pagamentos avulsos.