Overtraining: será que estou treinando demais?

16 de janeiro de 2018

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POR Redação

Até alguns anos atrás, o overtraining era um problema que se restringia apenas aos atletas profissionais. Hoje, por outro lado, ele é cada vez mais comum, atingindo também atletas amadores e até mesmo crianças.

Mas você sabe como identificar quando você está exagerando nos exercícios? E as consequências do overtraining, você sabe quais são?

Nós separamos todas as informações que você precisa para evitar esse mal, que é um dos problemas mais recorrentes de quem é adepto dos treinos intensos.

O que é overtraining?

O overtraining, ou, excesso de treinamento no bom português, é uma situação caracterizada como uma espécie de “síndrome”, causada pela desproporção entre a quantidade (volume e intensidade) de treino e a capacidade de recuperação do organismo (tempo).

Quando ocorre esta desproporção, ou seja, uma carga de trabalho muito grande que ultrapasse a capacidade de adaptação e/ou de recuperação do atleta, o organismo entra em falência, comprometendo vários sistemas, como o imunológico, o endócrino, o nervoso autônomo, entre outros.

Além disso, existem outros fatores que podem predispor o indivíduo à chamada “síndrome do overtraining”, que são:

  • Grande número de competições;
  • Monotonia do treinamento;
  • Quadros patológicos pré-existentes;
  • Nutrição inadequada frente à carga de treinamento;
  • Fatores ambientais (altitude, temperatura e umidade);
  • Falta de orientação de um profissional para a prática de atividade física.

Sinais de que estou treinando demais

Apesar de ser foco de inúmeros estudos, os pesquisadores da área ainda não chegaram a um padrão de diagnóstico capaz de determinar com precisão se uma pessoa está em overtraining ou não, uma vez que cada organismo reage de uma forma diferente ao treinamento excessivo.

Sendo assim, é bom ficar atento a alguns sinais emitidos pelo corpo, que podem ser observados durante nossa rotina de treinamento. Alguns desses sinais e sintomas são:

  • Queda no desempenho: você sente como se os exercícios não surtissem efeito;
  • Queda na imunidade: você sente que está ficando doente com mais frequência;
  • Fadiga crônica: sensação de cansaço que não passa;
  • Quadros de insônia ou noites mal dormidas: mesmo cansado, a impressão é de que você não consegue dormir;
  • Lesões musculares e fraturas por estresse muscular: a ocorrência de lesões durante a prática de exercícios é maior do que deveria;
  • Irritabilidade, ansiedade e agressividade: estes sintomas costumam aparecer com maior frequência e intensidade em quem está em overtraining;
  • Aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca: os batimentos ficam mais fortes e acelerados;
  • Perda de apetite: você não sente fome nem mesmo depois dos treinos;
  • Sensação de membros pesados: de repente, andar e mexer os braços ficam mais difíceis do que de costume.

Além, dessas observações, há, ainda, a possibilidade de um diagnóstico por exames laboratoriais, onde seriam constatados, em caso de overtraining, os seguintes resultados:

  • Diminuição da glutamina plasmática;
  • Aumento da CK (creatino kinase);
  • Variações significativas nos linfócitos TCD4+ e TCD8+ (células de defesa do nosso organismo).

Tratamento para overtraining

Antes de mais nada, é preciso ficar claro que a melhor forma de tratar o overtraining é prevenindo-o. É possível reverter o quadro por meio de alguns cuidados simples. Veja abaixo quais são eles:

  • Peça ao seu médico para fazer uma avaliação ergoespirométrica e, assim, conhecer quais zonas do seu corpo devem ser focadas no treinamento;
  • Respeite o tempo de recuperação do corpo entre uma atividade e outra. Procure não treinar os mesmos grupos musculares em dias consecutivos;
  • Mantenha sua frequência cardíaca dentro dos parâmetros obtidos na avaliação física;
  • Procure se hidratar antes, durante e depois de seus treinamentos;
  • Tenha uma alimentação equilibrada e evite dietas radicais;
  • Procure ouvir, sentir e respeitar os sinais enviados pelo seu corpo — principalmente quando sentir que há algo de errado;
  • Tenha sua rotina de treinos planejada e respeite todas as etapas, como alongamento e aquecimento, para prevenir lesões e evitar desgastes desnecessários.

Quando se visa bons resultados e qualidade de vida, é muito importante ter o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar de profissionais — isto é, médicos, educador físico, nutricionista e fisioterapeuta, entre outros.

Não dispense os avanços da tecnologia que já estão disponíveis para nós e apoie-se sempre nas orientações especializadas para garantir seus objetivos e, assim, evitar problemas como o overtraining.

 

 

Participou desta reportagem a equipe do SportsLab: Sérgio Dias Reis, Rogério José Neves, Paulo Sérgio Barone e Daniel Barsottini.