Lipoaspiração: cirurgia, recuperação, antes e depois, preços e mais

Atualizado em 15 de julho de 2019

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Lipoaspiração, também conhecida somente por lipo, é um procedimento médico que remove parte da gordura da pele – o tecido adiposo superficial – por meio de seringas ligadas a um aparelho sugador. O método é simples e foi idealizado no começo do século passado, mas trata-se de um procedimento delicado e que precisa ser realizado com cautela.

Origem da lipoaspiração

A primeira tentativa de remoção de gordura sem grandes incisões na pele data de 1921, na França. As complicações, porém, foram muito graves. A cirurgia realizada nas pernas de uma paciente causou danos vasculares e infecções que culminaram na amputação do membro.

Com o temor sobre a lipoaspiração, ela só voltou a ser praticada na década de 1970 na Itália, de forma já mais semelhante à atual, e com sucesso. No Brasil, esse tipo de cirurgia ganhou espaço nos anos 1980, e se tornou uma das cirurgias estéticas mais realizadas no país – o que se mantém até os dias atuais.

Quando a lipoaspiração é indicada?

A lipoaspiração tem um propósito bastante claro: remover acúmulos de gordura que atrapalhem a silhueta corporal, ou seja, aqueles depósitos que geralmente destoam do resto do corpo.

Isso significa que o procedimento não ajuda a emagrecer. “Na realidade, para fazer a lipoaspiração, o paciente deve estar no seu peso ideal”, explica Erico Pampado Di Santis, médico dermatologista Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Segundo ele, a cultura de que a operação é indicada para perder peso é muito difundida, mas precisa ser constantemente questionada para evitar que falsas informações sejam difundidas por aí.

Trata-se, portanto, de uma opção para eliminar a gordura localizada. Geralmente, a lipo é realizada na região abdominal, naquela barriguinha que não desaparece de jeito nenhum–- mesmo com muito exercício e dieta equilibrada com foco em emagrecimento.

Os famosos pneuzinhos na lateral, o culote e a papada são exemplos de locais onde a escolha pela cirurgia é válida e pode trazer resultados.

Quando a lipo deve ser evitada?

“Quando há volumes excessivos de gordura numa situação clínica adversa, a lipoaspiração não é indicada para o paciente”, alerta o especialista. “O paciente que deseja realizar o procedimento estético precisa estar com a saúde 100%”.

Como é uma cirurgia eletiva, ou seja, não tem urgência, ela pode ser remarcada tranquilamente se houver qualquer sinal de alerta. “Por exemplo, se algum exame apontar alteração no fígado, o paciente precisa ser encaminhado ao hepatologista antes”, afirma.

Outra questão importante que pacientes e médicos precisam ter consciência é em relação às falsas expectativas. Muitas vezes, a pessoa projeta todos os seus problemas no acúmulo de gordura e espera uma melhora total em sua vida depois da lipo. Mas não é isso o que ocorre.

A lipoaspiração é um complemento e precisa estar associada a hábitos saudáveis e à prática de atividades físicas. “Os pacientes iniciam o preparo com nutricionista e endocrinologista, e são estimulados a fazer exercícios. Muitos chegaram a nem precisar da operação”, conta Di Santis.

Se isso acontecer, significa que o problema não era o acúmulo distrófico da gordura, ou seja, uma resistência na eliminação mesmo com dieta e exercícios físicos. Se tratava apenas de uma reserva fisiológica. Por isso, uma avaliação médica completa é essencial.

Como é a cirurgia?

O procedimento se baseia na incisão de uma seringa, que aspira a gordura por meio de uma cânula oca. É necessário anestesia, e ela pode ser tanto geral quanto local. Para lipoaspiração em membros inferiores, a anestesia também pode ser raquidiana ou peridural.

“Também pode-se realizar a cirurgia com a ajuda de lasers e de fibrações, conhecidas como laser lipólise e fibro-lipoaspiração”, diz Erico.

Há riscos?

Qualquer procedimento cirúrgico, independentemente de seu propósito, apresenta algum tipo de risco. Por isso, a recomendação é de que os médicos alertem seus pacientes sobre eventuais problemas que podem ser desencadeados pela lipo.

Entretanto, por ser uma cirurgia agendada e eletiva, que permite a realização de exames prévios e avaliações de diversos outros especialistas, o risco da lipoaspiração é diminuído, mas não extinguido. Lembre-se: todas ações médicas, principalmente as que exigem incisões, são delicadas e requerem cuidados.

Como é a preparação para o procedimento?

Primeiramente, é importante confiar e ter boa comunicação com seu médico. Muitas vezes, o paciente vai se queixar de excesso de gordura e, após a avaliação, o médico pode ser contrário ao procedimento. Ele precisa preencher vários critérios para recomendar a lipoaspiração e iniciar o pré-operatório.

O paciente deve informar ao médico sobre seu histórico clínico, antecedentes alérgicos, história familiar, uso de medicamentos e drogas, hábitos de vida e o que mais ele questionar.

Por sua vez, o profissional também deverá solicitar exames de sangue e de imagem (como o ultrassom) para entender exatamente a origem da reclamação do paciente e entender se a lipoaspiração realmente é indicada.

Por fim, o paciente também precisa ter conhecimento total de como será o período pós-operatório, sobre a clínica onde acontecerá a operação, as instruções e restrições que deve seguir em casa até a o dia da cirurgia.

Essas recomendações costumam variar de acordo com o caso e com a região do corpo que será operada. Assim, é fundamental conversar com o médico e solicitar uma lista de orientações para o pré-operatório.

Como é a recuperação da lipoaspiração?

Existem lipoaspirações que demandam um tempo maior de recuperação, mas geralmente o pós-operatório é bastante tranquilo. A evolução, claro, depende de cada paciente, mas são poucos os que reclamam de dores. Se isso acontecer, analgésicos comuns resolvem. E lembre-se: é muito importante repousar.

Segundo explica Erico Di Santis, “com a técnica da anestesia tumescente, o paciente deve ficar 24 horas com a cinta elástica compressiva para que haja a saída do líquido injetado”. No dia seguinte, o paciente retorna ao médico para retirar a cinta e fazer uma avaliação da pele.

“Segundo dados da Escola Paulista de Medicina, 83% dos óbitos em lipoaspirações acontecem na primeira semana pós-operatória. Portanto, esse período é delicado e o médico precisa estar muito próximo. Precisam acontecer consultas de reavaliação e qualquer sintoma precisa ser comunicado imediatamente”, orienta.

E os resultados?

O estado imediatamente após a cirurgia ainda não é resultado final. É preciso esperar entre 8 a 10 meses para observar a situação definitiva, já que a retirada da gordura provoca um processo de inflação.

Os túneis que foram escavados no tecido adiposo serão preenchidos por tecido cicatricial e haverá contração do tecido e acomodação da pele. Todo esse processo acontecerá nesse período de quase um ano.

É natural ficar ansioso pelos resultados, uma vez que se trata de um procedimento estético. Mas é importante ter calma e consciência, desde o momento em que tomou a decisão por fazer a lipo, de que o reflexo da cirurgia pode demorar algum tempo para aparecer efetivamente.

Quanto custa uma lipoaspiração?

Erico Di Santis diz que o Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta os médicos a não divulgarem os preços da lipoaspiração. “Nós partimos do conceito de que não estamos trabalhando com um produto ou com um consumidor, mas sim com pacientes”, explica ele.

“A divulgação de valores pode dar a aparência de que o nosso trabalho é um tipo de comércio, o que não é o caso”, conclui. O Ativo Saúde, porém, apurou que muitos cirurgiões divulgam seus preços na internet – e de fato não se trata de um procedimento barato.

Dependendo do local onde ele será feito e da região do corpo, os valores podem variar bastante, podendo chegar a quase R$ 20 mil.

Aqui é importante fazer uma ressalva: por ser um procedimento cirúrgico, mais importante que o preço é a qualidade, reputação e estrutura da clínica onde ele será realizado. O profissional também deve ser cadastrado na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. A lista dos credenciados está disponível no site da SBCP para consulta.