Tumor de tireoide: o que é, diagnóstico e chances de cura

07 de agosto de 2018

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O câncer de tireoide é uma condição clínica relativamente comum e sua incidência vem aumentando consideravelmente nos últimos anos. Não se sabe exatamente o porquê desta crescente, porém se acredita que o avanço tecnológico com melhora significativa dos aparelhos de ultrassom e de qualidade das imagens seja uma causa importante para elevação dos diagnósticos.

A seguir, saiba mais sobre o tumor de tireoide:

O que é tumor de tireoide?

A tireoide tem a forma de uma pequena borboleta e geralmente é encontrada dentro da parte inferior frontal do pescoço. É uma glândula que controla o metabolismo e libera hormônios que direcionam muitas funções do organismo, como produção de calor, metabolismo e consumo de oxigênio.

O câncer de tireoide se desenvolve quando as células desta estrutura se transformam geneticamente e começam a se multiplicar, de modo a formar um tumor.

Diagnóstico

Habitualmente a descoberta do nódulo é inesperada e ocorre pelo médico, pelo próprio paciente ou por sua família.

Inicialmente, o paciente deve ser submetido à análise da função tireoidiana. Em seguida, se os valores hormonais estiverem dentro da normalidade, o paciente deve ser encaminhado para o ultrassom e, só então, dependendo das características do nódulo, o exame de punção aspirativa com agulha fina (PAAF) será necessário.

A PAAF é o procedimento de escolha para a avaliação dos nódulos e pode reduzir o número de cirurgias de nódulos da tireoide. Este exame pode ser realizado em laboratórios ou hospitais e não requer anestesia.

Sob ótimas condições, 60% a 80% dos nódulos submetidos à biopsia podem ser classificados como benignos e 3,5 a 5% como malignos. Entretanto, algumas vezes o resultado da PAAF é insuficiente ou indefinido e a punção deve ser repetida ou o paciente poderá ser encaminhado para algum teste molecular, que indica maior ou menor risco de malignidade e, com isto, auxilia o médico responsável quanto à conduta a ser tomada.

Nos casos indefinidos, algumas características do paciente e do nódulo devem ser levadas em consideração, como os possíveis fatores de risco, exposição prévia do paciente à radiação ionizante (especialmente durante a infância ou adolescência), história familiar positiva de câncer, tamanho do nódulo acima de 4 cm, presença de linfonodos cervicais suspeitos ou metastáticos e nódulo endurecido à palpação. Sintomas compressivos, como dificuldade para engolir alimentos, rouquidão e falta de ar, podem sugerir doença localmente invasiva e avançada.

Tratamento

A cirurgia é normalmente indicada para o tratamento do tumor de tireoide e pode ser mais ou menos agressiva, dependendo do caso. Algumas vezes, a tireoidectomia total (retirada de toda a glândula) é necessária. Em outras, a hemitereoidectomia (retirada de metade da tireoide) é suficiente. Além disso, há discussões a respeito de, inclusive, outras formas que não a operação para cânceres de menor agressividade, o que chamamos de vigilância ativa.

Após a cirurgia, com exceção de alguns casos de hemitireoidectomia, os pacientes precisam repor os hormônios tireoidianos e assim o deverão fazer para o resto da vida. A dose de reposição deverá ser estipulada pelo médico endocrinologista.

Dependendo das características do tumor, que devem ser avaliadas no exame do anátomo patológico da cirurgia (AP), o paciente terá ou não indicação de realizar a radioiodoterapia. Esta é realizada nos serviços de medicina nuclear e exige preparo especifico com uma dieta pobre em iodo e em alguns casos, com suspensão do hormônio tireoidiano. Na grande maioria das vezes, os pacientes acabam tendo que ser internados para realização deste procedimento devido à radiação, entretanto, este procedimento é felizmente e normalmente isento de riscos.

Cura

O prognóstico do tumor de tireoide é muito favorável. A taxa de cura é de aproximadamente 80%, enquanto 20% apresentarão recorrência da doença e somente 5 a 10% desenvolverão metástases à distância.

Assim, diante de um nódulo de tireoide, o paciente deve manter a calma e procurar um profissional habilitado. O diagnóstico de malignidade é o menos comum e, mesmo com ele, as possibilidades de cura são muito altas.

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Rosália Padovani

Rosália Padovani

Dra. Rosália é doutora em Endocrinologia e Metabologia pela UNIFESP. Realizou treinamento médico no exterior e obteve o título de especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Atualmente, é médica assistente da disciplina de endocrinologia e metabologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCM- S.P) onde atua na área de câncer de tireoide. É também médica responsável pelo tratamento com radioiodoterapia no setor de medicina nuclear do mesmo serviço.