Tripla jornada: mulher, médica e corredora

30 de novembro de 2018

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Esse artigo despretensioso e leve é para você que precisa de um estímulo para calçar seu tênis e sair correndo por aí. Uma breve introdução: sou médica e trabalho com Saúde da Mulher, mais especificamente com mulheres que não conseguem engravidar, e isso envolve muita pesquisa em hábitos saudáveis e alimentação.

Mas, antes de médica, sou esposa do Edu, com quem sou casada há 12 anos e que tem uma rotina mais agitada que a minha, e mãe de duas crianças e dois enteados que vivem conosco. No meio de todas essas atividades, tento me encontrar.

Organizei minha rotina de acordo com as necessidades das crianças e, nesse ponto, tive sorte de ser profissional liberal e poder ter duas tardes semanais livres para acompanhá-los em suas atividades. Também deixei de lado os plantões noturnos, pois sou um ser insano se não durmo.

A corrida foi pisando em meu terreno aos poucos. Foi no pós-parto de minha segunda filha que, há 10 anos, me rendi ao fato de que precisaria efetivamente me exercitar, já que a balança estava sendo cruel, eu vivia cansada e cheia de dores.

Descobri na corrida uma grande aliada, mas a princípio teria sido minha última opção, já que uma série de mitos existia em mim sobre sua prática. Para isso, minha personal Alzira Louro, foi fundamental, pois me mostrou o caminho das pistas.

Aos poucos fui me identificando com o esporte, aprendendo as posturas corretas, fortalecendo meu sistema cardiovascular e me sentindo segura para aceitar o desafio dos primeiros 5k. Em dois meses fiz minha primeira prova, em seguida outra e mais outra. Em todas, uma alegria e um choro represado de satisfação e poder, daquela que, com filhos pequenos e trabalhando duro, fez da corrida sua grande aliada no equilíbrio de tantos pratos.

Bom, sou muito tranquila em relação ao esporte. Não me cobro tempo, nem distância. Hoje em dia, costumo dizer que gosto tanto da corrida que se me dissessem que ela engorda, mesmo assim a manteria. Naturalmente, percebo que meu pace reduz e a distância aumenta, o que me faz feliz, é claro. Mas, de fato, a corrida não é minha profissão. Ela é minha aliada, portanto a última coisa que quero é me sentir cobrada também por sua prática.

Aprendi isso com o Dr. Drauzio Varella, a quem sigo fielmente nas dicas. Ele tem exatamente o meu pensamento quando descreve suas experiências e aventuras, além de 20 anos de prática e muita leitura científica sobre o assunto. Corro sempre que possível, quando tenho mais tempo, foco mais em distância e menos em velocidade, e vice-versa.

Mês passado estive em Denver, no Colorado, para um Congresso. Que delícia ter tido a cidade na sola do meu tênis, corri como nunca nas horas vagas. Isso gerou muita vontade de me preparar para provas maiores, fora do Brasil.

De uns tempos para cá, decidi acordar mais cedo para correr. A melhor atitude dos últimos tempos. Ainda está escuro quando piso na rua. O piar delicioso dos passarinhos me avisa que em segundos amanhecerá e assisto ao espetáculo de luzes e cores enquanto meu corpo corre.

O resultado disso é um dia com mais disposição, uma noite de sono gostoso, energia e vitalidade contrabalanceando a passagem dos anos. E, para quem sempre teve dificuldades com a balança, desfruto agora da satisfação de um cair constante nos ponteiros.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Renata Menezes

Renata Menezes

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Especialista em Medicina Reprodutiva pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Título em Reprodução Assistida pela SBRA. Tem fellowship no Jackson Memorial Hospital, Miami, E.U.A, e no Hôpital Saint Phillibert, Lille, França. É ultrassonografista formada pelo Centro de Treinamento em Ultra-Som. Membro do Comitê de Mortalidade Materno-Infantil do município de Barueri.