Vantagens e desvantagens da tecnologia na medicina esportiva

13 de novembro de 2018

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Os avanços que a tecnologia proporcionou à medicina, em particular ao campo da Esportiva Ortopédica, nas últimas décadas são fascinantes. Como progridem de forma tão arrojada e exponencial, às vezes podem ser esmagadores e, assim como em qualquer outra área, também podem ter desvantagens ou até mesmo ser potencialmente usados ​​para fins questionáveis.

A seguir, saibas as vantagens e desvantagens da tecnologia na medicina esportiva.

Tecnologia na medicina esportiva

Vantagens

Houve dias em que as radiografias eram o único recurso para dar uma olhada nos corpos dos pacientes e ajudar no processo de tomada de decisão junto ao exame físico, que era – e ainda deveria ser – o recurso mais poderoso.

Posteriormente, a tomografia computadorizada e, mais importante, a ressonância magnética foram introduzidas na prática diária, melhorando notavelmente a compreensão das mudanças que ocorrem em pacientes de maneira não invasiva. A tecnologia também melhorou significativamente a capacidade de tratar lesões que já foram uma final de carreira para muitos atletas no passado.

Atualmente, pacientes com lesões ameaçadoras, como luxações no joelho e rompimento de múltiplos ligamentos, retornam ao esporte com sucesso. O advento da artroscopia e a constante evolução dos materiais e técnicas para realizar cirurgias menos invasivas também têm desempenhado papel fundamental para ajudar a melhorar o atendimento ao paciente.

Desvantagens

Como a tecnologia na medicina esportiva está cada vez mais presentes no ambiente clínico, é frequente ver um paciente com uma queixa comum ser solicitado a fazer vários exames.

Pior, infelizmente não raro, os tratamentos são baseados apenas nos testes de imagem, e não nas queixas dos pacientes, com menos tempo investido em um exame físico completo.

Acredito que devemos estar mais conscientes dos benefícios, mas também das limitações das melhorias tecnológicas em nossa prática. Elas podem nos ajudar a fornecer o melhor atendimento ao paciente, embora não devamos esquecer que os cuidados médicos ainda devam estar centrados nas queixas e no exame físico.

Fins questionáveis

Os avanços tecnológicos, mais especificamente na área da genética, são muito promissores para o tratamento de doenças relacionadas à expressão ou à falta de genes. No entanto, este campo pode, teoricamente, ser usado para outros propósitos, como o aprimoramento do desempenho atlético, o chamado doping genético.

Desde a descoberta, na última década, de que a inserção de um gene em células musculares de ratos levou ao crescimento celular, o uso do recurso passou a ser estritamente proibido em esportes competitivos e profissionais. Contudo, a tática é potencialmente impossível de ser descoberta e controlada.

Isso poderia levar a uma mudança total nos esportes competitivos: seria uma competição sobre qual equipe ou jogador tem a melhor tecnologia de engenharia genética e não entre talento e trabalho duro.

Portanto, devemos manter nossas mentes abertas para as melhorias e benefícios que a tecnologia pode fornecer na prática no campo da medicina esportiva ortopédica, mas também ter uma visão crítica do uso de novas ferramentas de alta tecnologia para a prática clínica e aplicação nos esportes.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Moisés Cohen

Moisés Cohen

Dr. Moisés Cohen é presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), professor titular e chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unifesp, presidente da Sociedade Mundial de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Trauma Desportivo (ISAKOS) e diretor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte. CRM 31.863