Diferença entre pólipo, mioma e cisto e como afetam a fertilidade

20 de agosto de 2019

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Pólipos, miomas e cistos são achados frequentes em exames ginecológicos e, portanto, são motivo de muitas dúvidas e confusões. Essas formações costumam acometer o útero e, se não forem identificadas e tratadas corretamente, afetam a fertilidade feminina. Entenda mais:

Qual a diferença entre pólipo, mioma e cistos?

O pólipo é semelhante a uma verruga de pele, mas é mucoso e geralmente se instala dentro do útero.

Já o mioma é um tumor benigno que se forma a partir de uma fibra muscular do útero, como uma bola de tecido bastante irrigada, e que aperta as estruturas adjacentes. Como não é maligno, não se espalha pelo corpo.

O cisto é uma formação líquida que ocorre por diversos motivos. Por exemplo, no colo do útero é resultado de glândulas responsáveis por secretar o muco que ficam entupidas.

Como se formam?

Os pólipos podem ter origem em vírus. As causas dos miomas ainda são desconhecidas. Já os cistos ocorrem devido à obstrução de alguma glândula.

Há como prevenir?

Não existe uma forma de prevenção para tais estruturas. Contudo, vale realizar exames  ginecológicos, seja ultrassom ou testes mais específicos, regularmente para identificar e tratar tais estruturas o quanto antes.

Como afetam a fertilidade?

Os pólipos maiores podem atrapalhar quem quer engravidar, já que agem como um DIU no corpo da mulher. O embrião vem e dá de encontro com o pólipo, que geralmente está envolto em um processo inflamatório, o que impede a fecundação. Não existe uma norma específica, mas é recomendado que estruturas maiores de meio centímetro sejam retiradas para que a gravidez ocorra.

Os miomas atrapalham a fertilidade dependendo da localização. Eles podem ocorrer fora do útero (subserosos), no meio da parede uterina (intramurais) e dentro do útero (submucosos). O mioma submucoso é o que diminui as chances de engravidar, portanto recomenda-se retirá-lo antes de fazer Fertilização in Vitro. Os demais, se não forem gigantes, não causam problemas.

Cistos de ovário são de quatro tipos: funcional –que nada mais é que um “óvulo teimoso” que não saiu do ovário e ficou lá crescendo –, o tumor – que pode ser maligno ou benigno  –, os provenientes de endometriose – doença específica que pode formar um cisto –, e os hemorrágicos – formados por sangue de algum vaso rompido e que causam irritações.

Como tratar?

O tratamento dos pólipos é cirúrgico, por meio de histeroscopia  – procedimento caracterizado pela introdução de uma câmera no útero.

Miomas, dependendo do tamanho, local e grau de queixa, também têm recomendação cirúrgica. Pode ser por histeroscopia, videolaparoscopia ou, ainda, laparotomia – quando a barriga tem de ser aberta porque o mioma é muito grande e está fora do útero.

Os cistos que perduram por mais de três meses podem ser tratados com tratamentos hormonais, como pílula anticoncepcional ou inibidores do ciclo. Em último caso, podem ser aspirados com anestesia local, o que não é muito usual.

Faça seus exames e cuide-se. Essas formações são bastante comuns e tratáveis e a ciência oferece muitas opções para evitar que elas atrapalhem quem deseja se tornar mãe.

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Lister Salgueiro

Lister Salgueiro

Médico Andrologista, Ginecologista e especialista em Medicina Reprodutiva, formado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e no Centro de Ciências Médicas e Biológicas de Sorocaba. É diretor clínico e sócio-proprietário da Clínica Fértilis de Medicina Reprodutiva, em Sorocaba (SP) e autor do livro "Andropausa: Reposição Hormonal Masculina", Editora Roca.