Maioria dos profissionais de saúde considera obesidade uma doença

26 de outubro de 2018

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Uma pesquisa recente do Medscape descobriu que 64% dos médicos e 54% dos enfermeiros acreditam que a obesidade é uma doença. O levantamento acontece cinco anos depois que a Associação Médica Americana (AMA) declarou que o excesso de peso é um problema patológico que requer intervenções para tratamento e prevenção.

Obesidade é doença?

As respostas da pesquisa incluíram 1.484 médicos e 2.802 enfermeiros. No entanto, entre os médicos 20% referiram que não é uma doença e 16% não tinham certeza, e entre enfermeiros 24% disseram que não e 22% não tinham certeza.

Opiniões sobre se a obesidade é uma doença diferem por especialidade. Por exemplo, 82% dos especialistas em diabetes e endocrinologia concordam que a obesidade é uma doença em comparação com 63% dos médicos generalistas, incluindo os médicos de família e clínica geral. Veja:

 

Divulgação/Medscape Education

O diretor do Instituto de Obesidade, Metabolismo e Nutrição do Hospital Geral de Massachusetts em Boston, Lee Kaplan, disse recentemente que o sucesso do paciente depende de uma mudança no modo pelo qual os profissionais de saúde refletem sobre a obesidade, caso contrário o tratamento está fadado ao fracasso.

Opiniões divergentes

As opiniões divergem e variaram nos 122 comentários registrados desde que as perguntas da pesquisa foram postadas neste verão, particularmente entre os não especialistas.

Um clínico escreveu: “A obesidade é um problema comportamental que leva à doença”. Um cirurgião oncológico anotou: “A obesidade não é uma doença, mas uma condição à qual as pessoas estão predispostas por genética ou por problemas endócrinos”.

Outro clínico afirmou que: “Conhecemos as escolhas de estilo de vida que levam à obesidade: má alimentação, comer em excesso e baixo nível de atividade. Também sabemos que é muito raro a obesidade ser causada apenas por hereditariedade ou doença. Então, usar o carro em vez de caminhar e comer milhares de calorias a mais por dia em relação ao que você precisa é que é uma doença. Evitar a preguiça é uma doença”. Um médico de família observou que “em muitas máquinas de venda é mais barato comprar refrigerante do que água”.

A intervenção eleita a mais recomendada para tratar a obesidade foi a dieta, seguida pelo exercício. Os médicos eram mais que duas vezes mais propensos que os enfermeiros a recomendar cirurgia bariátrica (32% versus 14% e também de recomendar medicamentos prescritos (24% vs. 11%).

A pesquisa perguntou com que frequência os pacientes com obesidade tiveram sucesso no controle de peso em longo prazo e os números foram baixos (sucesso sempre ou frequentemente apenas 12% e 5%, respectivamente para médicos e enfermeiros e raramente ou nunca tiveram sucesso em 39% e 41%).

Em um comentário separado sobre a pesquisa publicada pela Medscape, Akshay B. Jain, endocrinologista do Wockhardt Hospital e Fraser River Endocrinology em Vancouver, Canadá, escreveu: “No interesse de abordar definitivamente uma situação que está atingindo pandemia, enquanto nós, profissionais médicos, não levarmos a obesidade a sério, seremos ineficazes para lidar com as consequentes ramificações biopsicossociais e econômicas que surgem devido à obesidade. Encará-la como uma doença é o primeiro passo para avaliar objetivamente os fatores que levam a ela e trabalhar para sua prevenção e tratamento “.

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Marcio C. Mancini

Marcio C. Mancini

Médico endocrinologista e diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). É responsável pelo Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia do HC-FMUSP e supervisor do Ambulatório de Obesidade Mórbida e Chefe da Liga de Obesidade Infantil do HC-FMUSP.