Pelo direito de não ser mãe: métodos contraceptivos gratuitos

01 de outubro de 2018

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Sejam por suas carreiras ou por motivos pessoais e econômicos, muitas mulheres têm optado por abrir mão da maternidade. Em primeiro lugar, trata-se de uma tendência que deve ser respeitada, afinal, toda mulher tem o direito de não ser mãe.

Acabo de voltar de um curso em que foi dito que as mulheres estão tendo cada vez mais acesso aos métodos anticoncepcionais de Planejamento Familiar, porém o número de gravidezes indesejadas subiu de 46% (em 2006) para 55,4% (em 2014). Alarmante, não é mesmo?

A seguir, saiba mais sobre métodos simples e gratuitos de colocar esse direito em prática:

Direito de não ser mãe: como exercê-lo?

A vida reprodutiva da feminina foi tratada, em âmbito internacional, pela primeira vez em 1996, dando a ela a plenitude e o empoderamento sobre seu corpo.

Para ficar claro: a mulher tem sim direito a não ter filhos, o que é assegurado pelo Estado, – até porque as obrigações com a maternidade recaem sobre seus ombros.

Saiba os principais métodos para evitar gravidez indesejada:

Laqueadura

Existe muita dúvida acerca da laqueadura, método cuja chance de falha é de duas gravidezes para cada mil mulheres. Vamos compará-la com outros métodos? A pílula tem índice de falha de 9 para 100 mulheres e a camisinha 18 a cada 100 mulheres. Isso quando se usa direito.

Ainda existe muita dúvida em alguns setores de atendimento sobre o que diz a legislação sobre a laqueadura. Acredito que poucas pessoas saibam, as leis determinam que mulheres com mais de 25 anos OU dois filhos podem passar pelo procedimento.

Ou seja, mulheres sem filho e com mais de 25 anos têm atendimento garantido, desde que seja preenchida a devida burocracia. O único porém é que, se esta paciente for casada ou tiver uma união estável documentada, o parceiro também terá de assinar. Simples, não?

DIU

Já em relação ao DIU é ainda mais simples. Se você não tiver condições de pagar por ele, basta procurar o Sistema Público de Saúde (SUS): o nosso governo fornece DIU de cobre, inclusive no pós-parto. Antes, só é necessário investigar se há a presença de alguma infecção vaginal, mas o sistema também fornece exames para tal.

A ideia é que se dissemine a cultura do DIU e que as pessoas tenham apenas os filhos que desejem ter, por uma sociedade mais justa e equilibrada.

* Doutora Patrícia Bretz tem um trabalho voluntário de colocação de DIU chamado ‘Filhos que Quero Ter’, em parceria com algumas entidades, como a ‘Lar Mãe da Providência’, localizada em São Roque, SP.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Patrícia Bretz

Patrícia Bretz

Dra. Patrícia Bretz é graduada em Medicina pela Universidade de Santo Amaro (2005) e tem especialização em Ginecologia e Obstetrícia pela mesma instituição (2006 - 2009). Ainda tem título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) número 0226/2010 e conta com aperfeiçoamento em Ginecologia Oncológica pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (2009 - 2011) e especialização em Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva pelo Hospital Sírio Libanês. Por fim, é mestre em Bioética pela Universidade São Camilo (2010 –2012).