Mulheres no esporte: características, benefícios e modalidades

08 de julho de 2019

|

Durante a Copa do Mundo, na França, comprovamos que as mulheres apresentam excelentes resultados quando o assunto é condicionamento, performance e alto rendimento. Exemplo disso é a jogadora Formiga, titular da Seleção Brasileira de Futebol Feminino que, aos 41 anos, participou da sétima de oito edições da Copa do Mundo.

Cada mulher responde de maneira diferente em relação a desempenho e intensidade, portanto, a rotina de atividade pode variar entre treinos leves, moderados e avançados, respeitando o que o próprio corpo sinaliza. O mais importante é se manter em movimento. Descobrir o tipo de esporte que desperta maior interesse e entender seus limites são os primeiros passos para, então, traçar um planejamento adequado, que deve começar pela frequência mínima de três vezes por semana.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a frequência ideal é de 150 minutos semanais de atividade física leve ou moderada (cerca de 20 minutos por dia) ou, pelo menos, 75 minutos de atividade física de maior intensidade por semana (aproximadamente 10 minutos por dia). O objetivo não é apenas combater o sedentarismo e a perda de peso, mas almejar maior qualidade de vida a fim de retardar o desenvolvimento de doenças crônicas e melhorar funções cardiorrespiratórias, musculares, entre outras.

Vale sempre passar por uma avaliação médica criteriosa antes de se dedicar a uma modalidade específica, a fim de entender se o corpo está apto para lidar com determinados impactos sem sofrer lesões ou outros tipos de consequências. Um bate-papo com um profissional pode sanar dúvidas e até ajudar na escolha da atividade ideal.

Existem diferenças entre mulheres e homens no esporte?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, as mulheres não deixam nada a desejar em relação aos estímulos de treinamento quando comparadas aos homens. Ambos  têm a mesma capacidade para atingir resultados.

O que difere são algumas características: por conta dos hormônios, o público feminino apresenta massa muscular menor, o que significa ter menos força. Elas também tendem a sofrer mais com lesões na área dos joelhos e quadril – pelo formato ser largo, a rotação do fêmur internamente pode levar a quatro vezes mais a ruptura do ligamento cruzado, grande causa de dor patelofemoral e condromalácia em mulheres (lesões na cartilagem sem cura).

Além disso, a sensação de bem-estar provocada pela produção de endorfinas após uma atividade aeróbica também é responsável por colaborar com o ajuste do ciclo menstrual, a diminuição das cólicas e os temidos efeitos da tensão pré-menstrual (TPM), como alteração de humor, vontade de comer doce e dores nas costas.

Atividades físicas para cada fase etária da mulher

Do início da adolescência até à fase pós-menopausa existem diversas modalidades que podem ser adotadas, de acordo com o gosto e o estilo de vida de cada mulher.

12 aos 19 anos

Atividades coletivas, como basquetebol, handebol, voleibol e futebol, são as mais procuradas. A menina tem um primeiro contato com o esporte mais pelo esforço em equipe e convívio social e, a partir daí, começam a surgir os gostos individuais.

20 aos 40 anos

A maioria das mulheres se identifica com diversas atividades. Na musculação, corrida, pedalada, natação e lutas há inúmeros benefícios, como controle do peso, maior condicionamento, melhora da mobilidade e tonificação muscular. No yoga e pilates, o foco está no fortalecimento da região abdominal, anel pélvico e resistência dos músculos da coluna.

Acima dos 50 anos

Com o organismo mais frágil, os exercícios são ideais para evitar a desaceleração metabólica e a perda da massa muscular, assim como ajudar na qualidade dos movimentos, reduzir a pressão arterial, aumentar o tônus, recuperar o equilíbrio e a coordenação motora, e principalmente, prevenir lesões. Entre as modalidades preferidas nessa idade estão hidroginástica, natação, treinamento funcional, dança de salão e musculação. O levantamento de peso olímpico também é bastante recomendado para a construção da força óssea.

O hábito de se exercitar tem aumentado a longevidade da mulher e se transformado em aliado contra doenças do século. A atividade física é uma arma muito potente contra ansiedade, estresse e depressão, melhorando de forma significativa a saúde cognitiva, trazendo mais autoconfiança, bem-estar e humor ao ativar de forma direta a produção de endorfina e serotonina, considerados hormônios do prazer.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Nemi Sabeh Jr.

Nemi Sabeh Jr.

Nemi Sabeh Jr., expert em medicina esportiva, ortopedia e médico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino há 10 anos. Atua no núcleo de especialidades do Hospital Sírio Libanês e da On Body Evolution, centro integrado de saúde, em São Paulo. CRM: 104568/SP