Detona Ralph: moral do filme é uma reflexão sobre autoaceitação

“Sou mau e isso é bom,
nunca serei bom
e isso não é mau.
Não quero ser ninguém além de mim”

(Detona Ralph, 2013)

De acordo com a Gestalt-terapia, a teoria paradoxal da mudança é um conceito que diz que a verdadeira mudança em um indivíduo só acontece na medida em que este aceita quem é ou o que tem.

Assim, o primeiro passo para mudar não é apenas aceitar e acolher aquilo que há de bom em si mesmo, mas principalmente o que causa repulsa e envergonha, ou seja, aquilo do qual não se apropria por acreditar ser um aspecto pessoal terrível.

Mudar então significa se apropriar dos próprios monstros, vilões que acabam por ocupar um papel autossabotador da própria existência.

Moral do filme Detona Ralph

Se tratando de vilões, gostaria de fazer uma reflexão sobre a animação “Detona Ralph” da Disney (2013).

Nela, o personagem principal, Ralph, é um vilão de jogo de fliperama que está cansado de desempenhar tal papel. Então, ele decide ir em busca de uma medalha, um prêmio que apenas os mocinhos ganham.

Para isso, sai de seu jogo e começa a transitar em outros em busca do prêmio, a fim de provar seu valor a si mesmo e a seus colegas.

Ser vilão não é tão ruim assim

 

Herói na montanha.

RyanKing999/IStock

É no jogo “Corrida Doce” que Ralph conhece Vanellope von Schweetz que, com seu carisma e inocência, passa a valorizá-lo. A garota não é uma vilã, mas um “bug” em seu jogo, ou seja um erro de sistema, e por isso sofre muita discriminação de seus colegas. Diferente de Ralph, ela quer conquistar seu lugar sem precisar se autossabotar. Com Vanellope, o protagonista começa a entender que ser vilão não é tão ruim assim.

Os colegas de Ralph também percebem sua importância, pois seu jogo só funciona com todos os personagens. Assim, o mocinho Felix sai em busca de Ralph para que ele retorne, mesmo sem a medalha. Ele então, aceita seu papel de vilão, aprende a se apropriar de seu lado bom e começa a se valorizar diante daquilo que é e tem.

É assim que a mudança acontece: quando nos tornamos mais pacientes e generosos com nossos defeitos, entendemos que nem sempre ser mau é ruim. Deste modo, acolhemos nossa dor e damos espaço para ela se curar.

Aproprie-se de seus defeitos

Gosto muito de cicatrizes. Elas trazem consigo um significado paradoxal que nos diz que “aqui doeu e aqui sarou”. Deste modo podemos pensar que aproximarmo-nos daquilo que mais machuca é um caminho para que a ferida machucada se torne cicatriz. Olhar para ela é a melhor forma de cuidado.

É assim que Ralph, o vilão da história, consegue se apropriar do seu lado mais sombrio, mas também mais doce e bondoso, à medida em que se permite estar em uma relação construtiva que o valoriza por ele ser quem ele é.

Pensemos então que nem sempre é ruim assumir nossos defeitos ou o lado mau das coisas. Às vezes isso é apenas um processo pelo qual temos que atravessar para alcançar a harmonia e o equilíbrio.

A sugestão que dou ao leitor é a seguinte: permita-se mais! Sem medo, em busca de sua integração e autorregulação.

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Natália Menezes Aguilar Parente

Natália Menezes Aguilar Parente

Psicóloga (CRP 06/92570) graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em Gestalt-terapia pelo Instituto Sedes Sapientiae. Com o olhar voltado exclusivamente para as pessoas, seu trabalho gira em torno de fazer com que estas entrem em contato com aquilo que mais as afligem para que possam transcender suas dificuldades e chegarem a um estágio de harmonia da alma.