Medicina chinesa e alimentação: relação é muito importante

11 de julho de 2018

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Já falamos aqui na coluna sobre o chi ou qi (em chinês), que são respectivamente a energia vital e a força da vida. Estes princípios são essenciais para compreender a relação entre medicina chinesa e alimentação. Entenda:

Medicina chinesa e alimentação: qual é a relação?

Para a acupuntura, tudo o que existe no universo – seja orgânico ou inorgânico – é composto de chi, então nada mais natural do que os alimentos também possuírem tal energia. Assim, a interação da comida com o processo digestivo forma o chi nutriente.

Dentro de nós, o chi assume muitas funções, tais como nos aquecer, nos proteger dos agentes causadores de doenças, garantir que vitaminas e minerais importantes sejam retidos onde há deficiência, entre outras.

Quando esta energia tem o papel de nutriente, exerce uma missão crucial na digestão, transformando o alimento em sangue e fluidos corporais.

Para a medicina chinesa o sangue tem muitas funções: ele nutre, renova e umedece o corpo. Perfeito, não é mesmo?

No chi nutriente, temos também a interação com o meio ambiente, afinal tudo está interligado com e no corpo humano. Portanto, as estações do ano, os cinco elementos (água, madeira, fogo, terra e metal) e o movimento natural yin yang (nascer, crescer, atingir o ápice, descer, morrer e renascer para começar tudo de novo) influenciam a nutrição do organismo.

Sabores no movimento yin yang

Os chineses, explicam este movimento da seguinte forma:

O Leste cria o vento que gera a madeira, a madeira produz o sabor ácido que nutre o fígado, governa os olhos e os músculos que fortalecem o coração.

Do Sul vem o calor que produz o fogo, gera o sabor amargo, nutre o coração, o qual alimenta o sangue dando vida ao estômago que faz a primeira síntese do chi nutriente no corpo humano.

Do Centro, vem a umidade que cria a terra, que por sua vez gera o sabor doce, nutre o baço e umedece o pulmão.

No Oeste, a secura produz o metal e este cria o sabor picante que alimenta o pulmão, o qual nutre a epiderme e fortalece os rins.

Por fim, o Norte cria o frio, que produz água gerando o sabor salgado que nutre os rins. Ufa!!!

Depois de compreender um pouquinho sobre como se originam os sabores no movimento yin yang, vamos aos seus efeitos:

 

Sabores Yin Yang

Arte/Renata Montanhana

Como pode se observar na tabela acima, um setor nutre e fortalece o outro, portanto não há nada isolado na medicina chinesa e é assim há mais de 5 mil anos.

Na próxima coluna, falarei mais sobre cada elemento, sabores e como você pode usar a alimentação a seu favor para prevenir, combater e curar doenças.

E aí, como está a qualidade do chi que abastece seu corpo todos os dias?

Referências:
WANG, Bing. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Dinastia Tang – Edição bilíngue). São Paulo. Editora Ícone. 2001.
Hirsch, Sonia, Manual do herói ou a filosofia chinesa na cozinha. Petrópolis. Correcotia, 1990, 2012.
Stux, Gabriel e Pomeranz Bruce. Basics of Acupuntur. Springer-Verlag – Berlim, 2004.
Soulié de Morant, George: L’Acupunture Chinoise, Maisonneuve, 1934
Dao de Jing (Tao Te king), Lao Zi

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Renata Montanhana

Renata Montanhana

Apaixonada por medicina tradicional chinesa e diferentes técnicas de cura e bem-estar. Pós-graduada em acupuntura, pela ABA – Associação Brasileira de Acupuntura. Qi Gong, pela Sociedade Taoísta do Brasil; Reiki, pelo Instituto Luz, e Mindfulness pela Orchestra do Silêncio são algumas de suas especializações no universo da terapia.