Máscaras sociais diárias que usamos para nos “fortalecer”

25 de fevereiro de 2019

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“Enquanto estamos vivos, não podemos escapar de máscaras e nomes. Somos inseparáveis de nossas ficções – nossas feições” (Octavio Paz)

As máscaras são objetos extremamente interessantes. Com elas, podemos nos despir de toda e qualquer realidade interna que nos aflige para enfrentarmos o mundo externo com mais leveza e espontaneidade.

Vou explicar de maneira mais clara:

Imagine que você, meu leitor, é convidado para um baile de máscaras. Apesar de sua timidez, aceita o convite, pois, exatamente por poder usar o artifício da máscara, pode lidar melhor com sua introversão, com os relacionamentos estabelecidos junto a pessoas e, até mesmo com possíveis flertes que podem surgir. Com a máscara, pode sentir-se protegido de sua timidez (que é vista por você como algo muito ameaçador) e se autorizar a vivenciar momentos que, em outras circunstâncias, seriam bem difíceis.

Pois bem, na psicologia não se usa o termo “máscara”, mas sim “defesa”, que tem exatamente a mesma função: proteger daquilo que nós próprios julgamos ser perigoso e ameaçador.

Ônus e bônus das máscaras sociais

É claro, que nós não estamos isentos de, em algum momento em nossas vidas, precisarmos fazer uso dessas defesas ou máscaras. Elas, muitas vezes, nos proporcionam coisas boas (como no caso das possíveis experiências de um baile de máscaras).

O grande problema existe quando, de tanto fazer uso de máscaras, acabamos por acreditar que sem elas não existe uma vida possível e saudável e, com isso, vamos por um caminho a tornarmo-nos pessoas que não somos.

Esses dias, navegando pelo Facebook, me deparei com uma postagem que dizia o seguinte:

“Uma geração que:

Sente falta, mas não procura.

Gosta, mas não demonstra.

Tem na mão, mas não valoriza.

Pisa na bola, mas não se desculpa.

É a mesma geração que:

Reclama da solidão.

Tempos malucos”

(Autor Desconhecido).

Creio que vamos nos assemelhando cada vez mais com a pessoa dessa postagem, que sente falta, gosta, tem na mão e pisa na bola, mas acredita que está tudo bem em ser ou estar assim e, o pior, se sentir só. De tanto nos defendermos, aprendemos que todo e qualquer ambiente é hostil e com isso precisamos cada vez mais da boa e velha máscara para não nos machucarmos.

 

Homem com máscaras sociais.

Zephyr_p/Shutterstock

Passamos para o outro a imagem de que está sempre tudo bem e criamos uma grande cilada que acabamos por acreditar ser tão real que nem nos damos conta de que é a nossa própria emboscada. Nem sempre está tudo bem, nem sempre eu sou a pessoa mais legal, nem sempre eu vou poder ceder ao outro, nem sempre eu vou gostar e nem sempre eu preciso acertar.

Enfim, precisamos estar atentos ao nosso estado presente, pois se por um lado as máscaras são muito funcionais para nos arriscarmos, por outro elas podem trazer consigo a possibilidade de viver a vida de um jeito só, ou seja, sem fluidez, possibilidades e escolhas.

Para finalizar nossa prosa, retomo os dizeres do autor Octavio Paz, no início do texto, que dizem que não podemos estar livre das máscaras, pois elas nos proporcionam um mar de possibilidades perante as dificuldades que enfrentamos na vida. No entanto, é preciso cuidado para não fazermos da vida real uma novela de ficção.

Seja no carnaval ou em qualquer outra época do ano, usem suas máscaras, mas não se esqueçam da essência de seu ser, que faz você ser exatamente quem você é.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Natália Menezes Aguilar Parente

Natália Menezes Aguilar Parente

Psicóloga (CRP 06/92570) graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em Gestalt-terapia pelo Instituto Sedes Sapientiae. Com o olhar voltado exclusivamente para as pessoas, seu trabalho gira em torno de fazer com que estas entrem em contato com aquilo que mais as afligem para que possam transcender suas dificuldades e chegarem a um estágio de harmonia da alma.