Lesões esportivas: há diferenças entre os sexos?

18 de março de 2019

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Estamos habituados a ler notícias sobre os limites nos recordes de diferentes atividades esportivas e que a mulher se aproxima cada vez mais das marcas dos homens. Além disso, também há notícias e debates sobre a mescla de homens e mulheres nas competições esportivas e os atletas que optam por competir no gênero diferente do seu fisiológico. Mas, afinal, existem diferenças entre os sexos quando o assunto é lesão?

A resposta é sim. A dimorfia sexual existe e deve ser levada em conta quando tratamos de lesões esportivas. Entenda:

Lesões em mulheres x homens

Fraturas por stress ocorrem mais em mulheres do que em homens e isso tem a ver com a menor massa muscular que caracteriza o sexo feminino, além da menor estatura e dos ossos mais estreitos, como os observados nas corredoras de longa distância que apresentaram a condição.

O treinamento militar também deve exigir das mulheres um preparo físico antes de ser iniciado. Ela precisa estar com o corpo mais condicionado do ponto de vista atlético para suportar a rotina que será imposta. Não que a recruta não possa fazer o mesmo treino que os homens, mas sim porque ele exige mais massa muscular do que a maioria apresenta no início da rotina militar.

Diferenças biomecânicas

Outras ocorrências são mais frequentes nas mulheres se comparadas aos homens pela dimorfia natural dos sexos.

Uma das lesões traumáticas que ocorre e que mais preocupa ortopedistas e médicos do esporte é a ruptura do ligamento cruzado anterior por trauma indireto (sem contato), que tem nas diferenças biomecânicas entre os sexos a razão para maior prevalência no sexo feminino.

Outra característica biomecânica com prejuízo do sexo feminino é a dor anterior no joelho, dor na articulação patelo-femoral e a instabilidade que ocorre nessa articulação, ou seja, o deslocamento da patela em relação ao fêmur é muito mais frequente nas mulheres do que nos homens.

E ainda há uma terceira ocorrência mais frequente nas meninas do que nos meninos – termos usados por ocorrer principalmente na adolescência –, a chamada Tríade da Mulher Atleta.

O que fazer para minimizar os problemas?

O primeiro passo é consultar um médico do esporte ou ortopedista, especialistas que melhor podem aconselhar a praticar exercícios regulares da maneira mais segura possível.

O segundo passo é escolher o esporte e conhecer as medidas que podem ser adotadas para garantir pouco risco, ou seja, saber se proteger das pegadinhas que o esporte tem e que propiciam a lesão.

O terceiro passo é ler a próxima coluna, que explicará melhor os porquês e “comos” das diferenças entre os sexos.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Ricardo Munir Nahas

Ricardo Munir Nahas

Ricardo Munir Nahas é ortopedista, médico do esporte e coordenador do Centro de Medicina do Exercício e do Esporte do Hospital Nove de Julho (SP).