Gravidez tardia: entenda implicações e como é feita a ovodoação

10 de outubro de 2018

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Um fenômeno social está acontecendo no mundo: o crescimento do número de gravidez tardia. Nos dias atuais, as mulheres fazem faculdade, iniciam a carreira, tornam-se independentes, se casam, constroem patrimônio e só depois resolvem ter filhos.

Também existe o problema do desconhecimento. Um estudo inglês mostrou que 48% das mulheres não sabem que têm um tempo certo para engravidar. O mesmo estudo revelou que 38% das casadas não sabem se querem ter filhos e 32% das solteiras nem pensam em engravidar.

Devido a isso, a taxa de natalidade diminuiu de 3.1 para 1.8 no Brasil e as clínicas de reprodução passaram a receber mais pacientes com idade acima de 35 anos.

A seguir, saiba mais sobre a gravidez tardia:

Implicações pela gravidez tardia

A gravidez tardia tem implicações clínicas: a mulher tem um estoque de óvulos que vai sendo “gasto” durante sua vida reprodutiva. A cada mês, o organismo recruta de 500 a 800 óvulos para escolher qual será liberado. Na adolescência, os ovários tem, em média, 400 mil óvulos. Com 35 anos, 50 mil. Com 37 anos, 25 mil. Com 40 anos, 13 mil e com 45 anos, 5 mil.

Além da queda no número, há também a redução da qualidade dos óvulos pelo “envelhecimento”. Com 25 anos, de cada 10 óvulos produzidos 3 terão alguma alteração que impeça a gestação saudável. Já com 40 anos, de cada 10, 8 apresentação anormalidades.

Como exemplo, pense num saco plástico com dez bolas, duas douradas e outras oito vermelhas. Encha uma piscina com estas bolas e, depois, retire algumas com as duas mãos em forma de concha. Quantas virão douradas?

Ovodoação

Outro problema é que, em alguns casos, a mulher vem para o tratamento sem ter mais condições de ter seus próprios óvulos. Neste caso, resta a ovodoação, que consiste na doação de óvulos de uma pessoa mais jovem e com características físicas similares as da receptora. Estes óvulos são fecundados com o esperma do marido e a receptora é quem gesta.

Não existe limite de idade para isso no Brasil, mas a responsabilidade é conjunta entre o médico e a paciente. Além disso, a paciente tem de ter condições clínicas adequadas, ou seja, não apresentar doenças crônicas.

No mundo, a mulher mais velha a dar à luz com ovodoação tinha 70 anos, já no Brasil, 64 anos.

Direito de não engravidar

Do mesmo modo, existe um movimento na Inglaterra denominado “NoMo” ou “Not Mothers” de mulheres que não querem engravidar em hipótese alguma, o que é um direito garantido.

Aborto

Na outra ponta do processo, muitos países tentam descriminalizar o aborto. Existem vários aspectos que influenciam na decisão. Do lado dos “a favor” há estatísticas de mortes maternas por abortos mal feitos e a concepção de que a mulher controla seus corpos e vidas.

Do lado” dos contra”, estão questões religiosas e jurídicas, já que o feto tem vida e o atentado a ele caracterizaria um crime. Pela lei brasileira, aborto só é permitido em casos de estupro, risco de morte materna e anencefalia.

Um médico dos Estados Unidos, Dr. Bernard Nathanson, realizou mais de 5 mil abortos quando teve acesso a imagem do ultrassom de um feto sendo morto durante o processo de aborto e desistiu de fazer o processo.

Precisamos repensar todos estes aspectos, pois já existe o cálculo que em 2038 teremos mais pessoas com mais de 50 anos na população.

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Lister Salgueiro

Lister Salgueiro

Médico Andrologista, Ginecologista e especialista em Medicina Reprodutiva, formado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e no Centro de Ciências Médicas e Biológicas de Sorocaba. É diretor clínico e sócio-proprietário da Clínica Fértilis de Medicina Reprodutiva, em Sorocaba (SP) e autor do livro "Andropausa: Reposição Hormonal Masculina", Editora Roca.