Evolução dos tratamentos de câncer ao longo dos séculos

13 de maio de 2019

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Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

O câncer é uma doença conhecida há milênios. Ele teve sua primeira definição dada por Hipócrates, na Grécia, como um tumor duro que muitas vezes reaparecia depois de retirado. O pai da medicina cunhou o termo câncer, “caranguejo” em grego, em função de sua percepção de que a forma como o tumor se enraizava nos tecidos adjacentes se assemelharia às patas desse crustáceo.

Evolução dos tratamentos de câncer

Cirurgia

Novas descobertas sobre o câncer ocorreram ao longo dos séculos por meio de estudos de anatomia até o surgimento da primeira forma de tratamento, a remoção cirúrgica, ao final do século XIX.

Radioterapia

No inicio do século XX, descobriu-se que radiações eram capazes de reduzir os tumores, emergindo assim a radioterapia como arma secundária no tratamento do câncer.

Tanto a radioterapia quanto a cirurgia tinham a característica de tratar um segmento ou área limitada do corpo, porque o câncer que evolui com metástases tem como foco medidas sistêmicas de contenção e tratamento.

Quimioterapia

A observação durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) de que o gás mostarda, usado como veneno químico, levava os soldados à morte por impedir a proliferação normal da medula óssea, ocasionando a aplasia de medula, terminou por determinar uma estratégia anti-proliferativa sistêmica para o câncer.

Este gás, usado em doses pequenas e repetidas, foi o primeiro tratamento químico do câncer na década de 30.

Apesar de sua eficácia, os múltiplos efeitos tóxicos observados sugeriram, em principio, impossibilidade de sucesso com a estratégia. A mostarda, bem como todas as medicações descobertas para o tratamento, apresentava a propriedade anti-proliferativa inespecífica, afetando de maneira análoga tecidos de rápida proliferação do corpo, como os cabelos, o sangue e o aparelho digestivo, provocando sintomas de intoxicação clássicos, como perda do cabelo, leucopenia e infecção, plaquetopenia e sangramento, anemia, náuseas, vômitos e diarreia.

Uma farmacopeia paralela de antídotos teve de ser criada para antagonizar ou suavizar os efeitos tóxicos da quimioterapia.

Ao longo dos anos seguintes, foram descobertas novas famílias de medicamentos com mecanismos de ação, efeitos colaterais e indicações terapêuticas diversas, tornando a área de quimioterapia do câncer uma especialidade em si.

Recentemente, a quimioterapia veio a ser modificada com agregação de grupos de drogas muito específicos nos diversos alvos de cada câncer, reduzindo significantemente os efeitos tóxicos dos tratamentos sistêmicos.

Desta maneira, o tratamento sistêmico do câncer, hoje bastante eficiente em aumentar a longevidade dos pacientes com doença metastática ou reduzir riscos de aparecimentos das temíveis metástases, tornou-se um ramo respeitado e já não mais temido.

O aparecimento de medicações cada vez mais ativas é provavelmente o mecanismo pelo qual a medicina vencerá a doença.

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Artur Malzyner

Artur Malzyner

Dr. Artur Malzyner é médico Oncologista e Consultor Científico da CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica, Médico Oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein. É Membro da American Society of Clinical Oncology (ASCO), European Society for Medical Oncology (ESMO), e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). CRM 20456