Importância de se desconectar do virtual e valorizar o real

06 de fevereiro de 2019

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Estamos vivendo tempos preocupantes em função da dependência das pessoas no mundo virtual. Cada vez mais, presenciamos cenas aflitivas de gente que não se dá conta do vício na internet, em especial no celular, o que nos leva a questionar o que estamos fazendo com as relações humanas.

Conexão enfraquece relações

Mães que amamentam seus filhos sem olhá-los nos olhos, pois estão presas ao celular. Pais que empurram seus filhos no balanço do parquinho automaticamente com uma das mãos enquanto a outra está teclando sem parar. Casais e famílias que sentam-se às mesas de restaurantes e conectam-se ao Wi-Fi, mergulhando num mundo distante em detrimento do convívio ali do momento. E por aí vai, com inúmeros exemplos que poderiam ser listados aqui em longos parágrafos.

Mas afinal, quando voltaremos a nos conectar “olho no olho”, a respeitar aqueles que estão conosco, não dispersando a atenção a todo o momento para responder mensagens ou olhar as redes sociais? Quando os pais perceberão que o convívio familiar é fundamental para ensinar valores e transmitir afeto a seus filhos, ajudando-os na construção de sua personalidade e autoestima?

Maior percepção do presente

Podemos começar essa desconexão por atitudes simples que nos levarão a uma maior percepção do presente.

Por exemplo, você faz exercícios na academia com fones de ouvido? Se sim, já imaginou qual mensagem pode estar passando para aqueles que estão ao lado? Provavelmente: “Não estou disponível para me relacionar, deixe-me em paz com minha música e não puxe conversa comigo”.

Fará seus exercícios prestando atenção à música, podendo perder a noção dos movimentos corretos e contagem das repetições. Tudo fica “automático”. Não percebe o ambiente, as pessoas passam despercebidas ao seu lado e possíveis amizades que poderiam surgir dali, não acontecem.

Caso pratique corrida no parque usando fones, perde a conexão com a natureza: não ouve os pássaros, o som do vento agitando as folhas das árvores e mal percebe as pessoas que cruzam seu caminho, pois está concentrado em sua música.

Os que não desabilitam a entrada de mensagens durante aquele período ainda interrompem a todo o momento seu treino para checar o que está chegando, prejudicando o ritmo adotado. Deixam de passar um momento que poderia ser de meditação e autorreflexão, bem como contato consigo, com os outros e com a natureza.

Faça um teste e vivencie esses momentos sem o celular. Deixe-o de lado e esteja realmente presente naquilo que se propõe a fazer, de corpo e alma. Verá que é possível se desconectar do aparelho por longos períodos e conectar-se com o momento presente, descobrindo inúmeros benefícios. Seu corpo, seu espírito e as relações humanas agradecem.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Marina Vasconcellos

Marina Vasconcellos

Marina Vasconcellos é psicóloga pela PUC–SP, especializada em Psicodrama Terapêutico pelo Instituto Sedes Sapientiae, psicodramatista didata pela Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRAP) e terapeuta familiar e de casal pela UNIFESP.