Câncer de fígado: tipos, sintomas e tratamentos do tumor

Atualizado em 04 de julho de 2019

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Colaboração de Natalia Fernandes Garcia de Carvalho, mestre em Ciências

Câncer de fígado é uma doença temida no imaginário popular porque afeta o órgão reconhecidamente mais ativo metabolicamente no corpo humano. Saiba quais são seus sintomas e tratamentos:

O fígado

O fígado é considerado a maior glândula do corpo humano, sendo responsável por diversas funções essenciais para o funcionamento do organismo. Além de secretar a bile, enzima que atua na digestão de gorduras, o órgão armazena glicose, produz proteínas essenciais para fatores de coagulação, desintoxica o organismo por meio da metabolização de substâncias, produz colesterol – substância essencial na produção dos hormônios –, combate micro-organismos e mais.

As doenças que afetam o fígado podem provocar vários tipos de carências relacionadas com as funções usuais do órgão, a saber, e na ordem que citamos acima: alterações da digestão, hipoglicemia, distúrbios da coagulação, intoxicação por amônia e outros produtos do metabolismo usualmente transformados pelo fígado, bem como fragilidade frente a infecções.

Tipos de câncer de fígado

Metastático

A verdade médica é que o fígado possui um intenso sistema de irrigação sanguínea e, por isso, termina sede frequente de passagem de células cancerosas que se desprenderam de seus tumores originais, onde quer que tenham se iniciado.

Isso é particularmente comum em câncer de intestino, estômago, pâncreas, pulmão, mamas, além de outros. Portanto, o câncer no fígado mais comum que se conhece é o metastático, ou seja, que se alojou no fígado e que encontra nele um território propicio para desenvolver-se e terminar por produzir o desenlace.

Hepatocarcinoma

Existe também um tipo menos comum, pelo menos no Ocidente, que é o câncer que se inicia no fígado, também chamado de “primário do fígado”, medicamente conhecido como hepatocarcinoma. No Oriente, onde a hepatite tipo B é endêmica e muito frequente, chega a ser o câncer mais frequente em algumas regiões.

Outros fatores de risco para desenvolvimento do hepatocarcinoma são a ingestão de grãos e cereais mal acondicionados, resultando na contaminação por: aflatoxina, substância cancerígena produzida pelo fungo aspergillus flavus; arsênio, cloreto de vinila, solventes, fumos de solda e bifenil policlorad; substâncias relacionadas a profissionais da saúde, mecânicos, agricultores e trabalhadores da indústria de plástico. A cirrose hepática também frequentemente acompanha o alcoolismo e as hepatites virais B e C.

Sinais e sintomas

Como a evolução do câncer é silenciosa, os sintomas geralmente aparecem quando o tumor apresenta um tamanho considerável, pressionando os tecidos vizinhos.

Os sintomas mais frequentes são dor abdominal, distensão abdominal, perda de peso inexplicada, perda de apetite, mal-estar, icterícia (tonalidade amarelada na pele e olhos) e ascite (acúmulo de liquido no abdômen).

Tratamentos

O tratamento preferencial do câncer de fígado é a remoção cirúrgica da área afetada, porém isto se torna difícil diante da frequente coexistência da cirrose, que predispõe ao câncer. Outras formas de tratamento incluem a radio-cirurgia e a ablação por métodos diversos. A quimioterapia tem efeito meramente estabilizador, que é transitório.

Prognóstico

O prognóstico é usualmente grave, apesar das múltiplas intervenções médicas possíveis.

No caso de câncer metastático, os progressos costumam ser maiores, particularmente no tumor colorretal, causa mais frequente de metástase no fígado.

Pacientes com essa doença derivam benefício da remoção cirúrgica de um ou mais nódulos metastáticos no fígado e dos muitos tipos diferentes de quimioterapias já estudadas, tendo se tornado um modelo único de sucesso do tratamento multidisciplinar do câncer metastático.

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Artur Malzyner

Artur Malzyner

Dr. Artur Malzyner é médico Oncologista e Consultor Científico da CLINONCO - Clínica de Oncologia Médica, Médico Oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein. É Membro da American Society of Clinical Oncology (ASCO), European Society for Medical Oncology (ESMO), e da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). CRM 20456