Banalização da depressão prejudica tratamento da doença

Uma das tristes realidades do mundo contemporâneo é o incontável número de notícias de tragédias que acontecem em decorrência da depressão. Essa doença (sim, depressão é uma doença) se caracteriza, dentre outros fatores, pela incapacidade de sentir prazer na vida.

Geralmente, seu fundo é emocional, mas, com o passar do tempo nesse mesmo status quo, a sua existência se dá por uma questão química de ausência de substâncias produzidas sob o comando de cérebro, a qual nos impede de enxergar o colorido da vida e as pequenas coisas que fazem sentido. Desta forma, é comum que pessoas assim percam o ânimo e a vontade de viver.

O que acontece, e que ao meu ver é o mais preocupante, é que as pessoas com essa dificuldade não são vistas pela sociedade como doentes e a banalização da depressão tem criado espaço e tempo de cobranças nos quais o acometido não se encaixa.

Como ocorre a banalização da depressão?

A depressão é vista como falta de vontade de melhorar, preguiça ou mesmo “falta de louça para lavar” (frase que já escutei muito). Diante desses pré-julgamentos, quem passa pelo problema não encontra a possibilidade de ser acolhido e se perde. Isso, muitas vezes, pode lhe custar a própria vida.

O número de suicídios e automutilações, principalmente em jovens, tem crescido de maneira descomunal. O que percebo é que este crescimento advém da falta de habilidade em lidar com a dor do outro, de modo que não damos a importância necessária a sinais que são tão consideráveis. Aí acontece a banalização da depressão.

Como lidar com a depressão?

 

Ilustração de de uma pessoa abraçando a outra.

KreativKolors/Shutterstock

Se faz muito importante repensarmos os valores da vida, pois a depressão tem cada vez mais se tornado presente, dificultando a existência de muitas pessoas. A empatia é fundamental para que o doente se encontre novamente perante um mundo que carrega muitas cobranças sobre sua melhora.

Estar junto tem de ser o lema para se ajudar pessoas com depressão e não julgar faz toda a diferença, pois, acredite, essa pessoa já se julga bastante por se sentir assim. Isso, junto a toda falta de sentido que ocorre na vida, faz o indivíduo com a doença se sentir só e recorrer a soluções como automutilação e suicídio.

A atenção às necessidades das pessoas com depressão é de extrema importância para restaurar seus lugares no mundo novamente.

Mas, para isso, precisamos não julgar e encarar a doença com seriedade, talvez até como o mal do século da atualidade, bem como reconhecermos que ela pode ser combatida sem que custe a vida de ninguém.

Os textos, informações e opiniões publicadas nesse espaço são de total responsabilidade do autor. Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Ativo Saúde

Natália Menezes Aguilar Parente

Natália Menezes Aguilar Parente

Psicóloga (CRP 06/92570) graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, especialista em Gestalt-terapia pelo Instituto Sedes Sapientiae. Com o olhar voltado exclusivamente para as pessoas, seu trabalho gira em torno de fazer com que estas entrem em contato com aquilo que mais as afligem para que possam transcender suas dificuldades e chegarem a um estágio de harmonia da alma.