Remédio para emagrecer: quais são e como agem os prescritos e os naturais

25 de setembro de 2018

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POR Manuela Sampaio

Condenados por alguns, recomendados para outros, os remédios para perder peso geram muita polêmica. Afinal, apesar de facilitarem o emagrecimento, estão envolvidos na busca voraz pelo “corpo perfeito” e, nesse sentido, o uso irresponsável e até ilegal não é raridade.

Para a endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), na maioria das vezes o medicamento para perda de peso tende a ser uma ajuda. O problema começa quando não é utilizado da forma adequada ou é oriundo de vendas sem receituário médico, frequentemente sob a ilusão do “remédio para emagrecer rápido”.

Há ainda compostos naturais e alimentos considerados emagrecedores que ganham cada vez mais espaço, mas como utilizá-los? Eles são totalmente inofensivos? Respondemos a essas e a mais perguntas a seguir.

Remédio para emagrecer vendido somente com receita

 

remédios para perder peso

Maria Edna de Melo explica que os tipos de remédio para emagrecer prescritos por médicos com o objetivo de perder peso são recomendados apenas para dois grupos de pessoas:

“No momento da escolha do tipo de remédio para emagrecer, devem ser levadas em consideração a indicação e necessidade do paciente e ainda avaliadas as possíveis contraindicações que o mesmo possa ter”, diz a médica.

Além disso, é preciso considerar que, provavelmente, o paciente usará o medicamento por um longo período,  pois a obesidade é uma doença crônica progressiva.

“Diante do uso tão prolongado, o remédio para emagrecer precisa se mostrar seguro, ou seja, ele não pode apresentar efeitos colaterais que prejudiquem a rotina ou que tragam algum prejuízo futuro”, comenta Maria Edna.

Nesse cenário, existem algumas opções com diferentes prós e contras:

Sibutramina

A especialista explica que a sibutramina tem ação no sistema nervoso central, elevando a atividade dos neurotransmissores noradrenalina e serotonina. Essa alteração química aumenta a saciedade e, com isso, a pessoa tende a comer menos.

O mecanismo desse remédio para emagrecer, no entanto, o torna contraindicado para pacientes com elevado risco cardiovascular ou antecedente de doença do coração já estabelecido, porque a ação sobre neurotransmissores pode aumentar a frequência cardíaca ou a pressão arterial. Assim, ela também é contraindicada para pacientes hipertensos.

Saxenda

Saxenda é o nome comercial da liraglutida, que possui ação semelhante ao hormônio intestinal GLP1.

Esse remédio para emagrecer possui efeito no sistema nervoso central, levando à redução da fome. Além disso, possui ação periférica que retarda o esvaziamento do estômago, fazendo com que a comida fique um pouco mais de tempo no órgão, levando ao aumento da saciedade.

“É uma medicação com excelente perfil de segurança, por ser a mais moderna no mercado brasileiro para obesidade. O único inconveniente é o custo elevado”, segundo a endocrinologista.

Fluoxetina

A especialista explica que a fluoxetina não tem indicação para tratamento de obesidade. Na realidade, trata-se de uma droga que age sobre o hormônio serotonina, relacionado à sensação de bem-estar, para tratar quadros de depressão e ansiedade.

Sendo assim, a fluoxetina não deve ser tomada especificamente para perder peso, sob o risco de, além de não causar o efeito desejado, gerar efeitos colaterais como diarreia, insônia, fraqueza e ansiedade.

Sertralina

Outra droga sem indicação específica para emagrecimento, a sertralina é usada para tratar depressão, ansiedade e outros transtornos de ordem psicológica por meio da modulação da serotonina.

Entre os efeitos adversos de seu uso estão: insônia, tontura, boca seca, fadiga, náuseas, entre outros.

Anfetaminas (catecolaminérgicos)

Anfetaminas são medicações catecolaminérgicas, ou seja, agem por meio de substâncias chamadas catecolaminas, aumentando a ação do neurotransmissor noradrenalina.

Esse remédio para emagrecer age reduzindo a fome, mas também atinge receptores na periferia do corpo, então é possível que haja aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial. “Por isso, é para pacientes com perfis de segurança extremamente avaliado, ou seja, sem risco cardiovascular”, explica a médica.

O nome anfetamina acabou tornando-se pejorativo com os anos, principalmente pelo seu uso como droga psicoestimulante. É por isso que muitos especialistas, como Maria Edna, atualmente preferem chamá-la de catecolaminérgico.

Xenical (Orlistate)

Também conhecido como Orlistate, é um remédio para emagrecer com perfil de segurança excelente, já que praticamente não é absorvido pelo organismo, segundo a endocrinologista.

Ele age diretamente no intestino, reduzindo em cerca de um terço a absorção da gordura – que possui quantidade calórica elevada – ingerida na alimentação. “Essa medida será eliminada nas fezes, então o efeito colateral mais associado ao uso do orlistate é a diarreia ou a perda espontânea de fezes, de acordo com a quantidade de gordura ingerida”, explica a médica.

É importante ressaltar que essa medicação não se trata de um “remédio para perder barriga”, visto que a gordura eliminada será somente aquela ingerida na alimentação.

O nutrólogo Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia, explica que há contraindicação para pessoas com quadros de inflamação no intestino (colites), diarreias crônicas e pancreatites.

Além disso, afirma que o uso prolongado sem orientação médica pode levar a má absorção de vitaminas lipossolúveis (que são absorvidas pelo intestino, pegando “carona” com a gordura dos alimentos), como vitamina A, vitamina E, vitamina K e vitamina D.

Bupropiona

Bupropiona é um antidepressivo que age na regulação da serotonina, sendo comumente usado por quem quer parar de fumar. Apesar de seu uso como remédio para emagrecer ter se popularizado, não tem indicação específica para tratar obesidade.

A endocrinologista explica que há perda de peso se a medicação for usada juntamente com naltrexone, no entanto essa associação ainda não está disponível no Brasil.

Locarserina

A locarserina é uma medicação com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas que ainda não é comercializada pela indústria.

“Ela age somente via serotonina, mas em um receptor específico localizado no hipotálamo, região em que ocorre a regulação da fome e da saciedade”, diz a especialista. Com isso, há aumento da saciedade e, consequentemente, menor ingestão alimentar e perda de peso.

Para a médica, trata-se de um remédio para emagrecer com perfil de segurança bom, ou seja, a relação entre riscos e benefícios é satisfatória.

Remédio para emagrecer vendido sem receita

 

Remédio para emagrecer.

White bear studio/hHutterstock

Além dos tipo de remédio para emagrecer que só podem ser comprados com prescrição médica, há drogas que ajudam no processo e podem ser livremente adquiridas.

No entanto, isso não significa que devem ser tomadas sem critérios. A melhor opção é sempre consumir essas substâncias com orientação de profissionais da área da saúde – médicos e nutricionistas.

Cromo

O nutrólogo Roberto Navarro explica que esse remédio para emagrecer ajuda a insulina a “jogar” a glicose (açúcar) para dentro da célula para que seja usada como fonte de energia.

“Trocando em miúdos, a sobra da glicose geralmente vira “gordura” no corpo, mas o cromo atua facilitando sua entrada na célula e estimulando sua “queima” como combustível, o que ajuda no controle do peso”, diz.

Existem raras contraindicações para este remédio para emagrecer, uma delas é o caso de diabéticos em uso de insulina, pois pode haver tendência à hipoglicemia. Também não existem estudos com suplementação de cromo em gestantes, por isso é melhor evitar o uso nesta situação.

“A prescrição do cromo deve ser sempre orientada por médicos e nutricionistas, pois doses excessivas podem levar a alterações renais, além de desencadear náuseas, vômitos, dores de cabeça e diarreia”, comenta Roberto.

Remédio para emagrecer natural

 

goji berry

Remédio natural para emagrecer não é necessariamente inofensivo para o corpo. “Os princípios ativos encontrados em plantas e alimentos que são potencialmente benéficos para o organismo podem ter potenciais riscos caso sejam usados de forma indiscriminada ou em doses inadequadas”, explica Roberto Navarro.

A fitoterapia também segue princípios iguais aos dos medicamentos sintéticos convencionais, ou seja, deve ter indicação e dose adequadas.

Max burn

Max burn é um remédio para emagrecer natural que écomposto de psylium, uma fibra que aumenta a saciedade, faseolamina, substância que diminui a absorção do carboidrato, quitosana, que reduz a absorção da gordura, açaí e chá verde, termogênico que acelera o metabolismo.

O composto é considerado um remédio natural para emagrecer rápido, no entanto, só faz efeito se for utilizado em conjunto com uma dieta adequada. “Utilizado de forma isolada e sem mudanças no padrão alimentar, de nada adiantará”, diz o médico.

O uso pode ser contraindicado nos casos de colites, diarreias, insônia, hipertireoidismo e hipertensão arterial.

Quitosana

Embora bem menos que o orlistate, a quitosana é uma fibra que diminui a absorção da gordura dos alimentos no intestino.

Suas contraindicações são: inflamações no intestino, diarreias crônicas e pancreatites.

Goji Berry

Goji berry é uma fruta que, por ser fonte de fibras, pode prolongar a saciedade, afastando a fome por mais tempo.

No entanto, o nutrólogo afirma que suas ações sobre o emagrecimento param por aí: “Não há estudos que correlacionem o uso de Goji Berry com perda de peso”.

Konjac

“O Konjac é uma generosa fonte de fibra hidrossolúvel. Isso significa que, depois de ingerido e hidratado com água, seu volume aumenta consideravelmente no estômago, funcionando como uma esponja”, explica o especialista. “Isto leva à uma sensação de saciedade prolongada e pode controlar a fome excessiva”.

Quem troca a massa de macarrão tradicional com valor calórico alto pelo Konjac pode se beneficiar duplamente.

Bebidas naturais para emagrecer

 

chá de hibisco emagrece

Água com limão

Ao contrário do que muito se diz, não há estudos que comprovem que água com limão tem poder de “limpar” o organismo e nem levar ao emagrecimento.

Apesar disso, essa fruta cítrica é excelente para a imunidade, formação de colágeno e saúde dos vasos sanguíneos.

Vale ressaltar que o limão em excesso é capaz de gerar irritação gástrica em pessoas sensíveis ou com doenças no estômago.

Água com gengibre

O gengibre tem ação anti-inflamatória e termogênica, portanto pode ser coadjuvante na perda de peso, desde que acompanhado de uma dieta adequada.

Porém, seu excesso pode desencadear gastrite e elevação da pressão arterial, por isso recomenda-se no máximo 1 colher de café por dia.

Chá de hibisco

O chá de hibisco emagrece pois tem um discreto efeito diurético, que reduz a retenção líquida, além de ser excelente fonte de antocianinas, que são potentes antioxidantes. Até duas xícaras de chá ao longo do dia tem limite de segurança razoável.

Mas atenção: se utilizado por gestantes, o excesso pode levar a cólicas abdominais e contrações uterinas excessivas, com potencial efeito abortivo.

 

Fontes

Endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).  CRM 106455/SP

Nutrólogo Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia. CRM 78392/SP