Dieta Ravenna alia alimentação saudável e mente sã

28 de novembro de 2017

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POR Bruno Botelho dos Santos

Você já ouviu falar na Dieta Ravenna? Ela ganhou bastante popularidade depois que a ex-presidente Dilma Rousseff se tornou uma das adeptas. Ela chegou a perder 17 quilos em pouco mais de 6 meses seguindo a metodologia deste tipo de dieta, que é diferente dos métodos de emagrecimento tradicionais e que conta com acompanhamento nutricional, psicológico e físico.

O que é a Dieta Ravenna?

Criada em 1991 pelo médico e terapeuta argentino Máximo Ravenna, a dieta que leva seu nome é um método que busca a mudança dos hábitos alimentares em conjunto com a prática de atividades físicas e com um processo de mudança psicológica também.

Para o idealizador da Dieta Ravenna, os problemas relacionados com o peso e distúrbios alimentares (tanto para quem quer emagrecer quanto para quem pretende engordar) não podem ser dissociados de fatores psicológicos e emocionais.

Ele diz que mudar hábitos alimentares, praticar exercícios e trabalhar as emoções formam o tripé que sustenta uma mudança total de qualidade de vida. Por isso, sua dieta se baseia basicamente no trio corte-medida-distância, sendo:

  • Corte: com o excesso alimentar, “cortando” porções exageradas nas refeições e evitando comer o tempo todo;
  • Medida: trata-se da medida ideal tanto para o corpo quanto para o prato (medidas certas por refeição);
  • Distância: referindo ao período entre as refeições e ao afastamento entre os adeptos e os alimentos que causam compulsão alimentar.

Veja abaixo uma representação extraída do site oficial da Dieta Ravenna:

dieta ravenna - metodologia

Como ela funciona?

A Dieta Ravenna é feita a partir de uma base de calorias, que varia de pessoa para pessoa. Em média, segundo especialistas, são indicadas entre 800 e 1.200 calorias divididas por 4 refeições ao dia (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar).

Ao contrário de muitas dietas, esta não recomenda o hábito de comer de três em três horas, pois isso facilitaria a compulsão alimentar principalmente por quem já tem pré-disposição.

Para trabalhar os três métodos que formam o tripé da Dieta Ravenna, seus adeptos devem necessariamente fazer um acompanhamento durante todo o processo com um nutricionista, um educador físico e um psicólogo.

Assim, é criado um plano alimentar diário e específico de baixa caloria para quatro refeições ao dia. Nela, também é possível incluir suplementos de vitaminas, sais minerais e aminoácidos sempre que necessário.

Como é o acompanhamento multidisciplinar?

O nutricionista auxilia na montagem do cardápio de acordo com as características e necessidades metabólicas de cada um. Não se deve sob nenhuma hipótese baixar um cardápio da internet e incorporá-lo à sua rotina alimentar, pois os alimentos que compõem um cardápio são montados pensando especialmente no que cada um precisa para emagrecer corretamente e com saúde.

Já o educador físico é tão essencial quanto o nutricionista no processo da Dieta Ravenna, já que é ele quem vai recomendar os melhores exercícios e tipos de treino mais indicados para cada um também.

Da mesma forma que somente um nutricionista ou nutrólogo pode montar um cardápio personalizado, somente um educador físico ou personal trainer pode montar o melhor treino para você. Não pratique atividades físicas, principalmente as de alta intensidade, sem o acompanhamento de um profissional da área.

Por fim, o psicólogo entra justamente no acompanhamento psicológico da pessoa, determinando um número específico de sessões e o intervalo ideal entre cada uma. Esta terceira parte também é essencial para garantir os bons resultados da Dieta Ravenna.

Alimentos permitidos na Ravenna

Alimentos ricos em fibras e com baixo índice glicêmica — concentração de glicose no sangue — são bastante recomendados por especialistas da Dieta Ravenna, pois eles ajudam principalmente a aumentar a sensação de saciedade e no bom funcionamento do intestino.

Por sua vez, carboidratos complexos — como arroz, macarrão e pão integral — também devem ser incluídos, já que são de digestão lenta e, assim como as fibras, ajudam a deixar a pessoa saciada mais rapidamente.

E os alimentos proibidos

A Dieta Ravenna exclui alguns alimentos ricos em carboidratos simples, como pão, bolos e massas. Eles são digeridos e absorvidos rapidamente pelo organismo, fazendo com que a pessoa passe a sentir fome rapidamente logo após a refeição, contribuindo para que ela volte a comer num intervalo muito curto de tempo.

Além disso, esse tipo de nutriente ajuda a aumentar a taxa de glicose no sangue, que pode ser prejudicial à saúde e aumentar os riscos de diabetes e de outros problemas.

Duração e perda de peso

A duração da Dieta Ravenna é bem relativa e vai depender do objetivo que cada pessoa deseja alcançar. A metodologia pode ser dividida em duas fases:

  • Redução: é a parte inicial, que consiste na restrição de carboidratos e, consequentemente, na perda de peso também. A duração vai depender do metabolismo de cada pessoa — alguns são mais acelerados, outros mais lentos.
  • Manutenção: esse período dura pelo resto da vida e consiste na reintrodução de todos os alimentos (inclusive os que foram cortados), mas com acompanhamento nutricional e com a prática de exercícios.

Esta segunda parte da Ravenna existe porque ela não é uma dieta que termina quando o número da balança diminui, e sim um método de emagrecimento baseado na reeducação alimentar — fundamental para manter um bom peso pelo resto da vida.

A perda de peso, aliás, também varia de pessoa para pessoa que faz a Dieta Ravenna — justamente por causa do tal do metabolismo. Em média, no primeiro mês os homens costumam perder de 7 a 10% do peso inicial. Já as mulheres geralmente perdem de 5 a 7%.

Mas não se baseie somente nestes números. É imprescindível conversar com os profissionais durante todo o acompanhamento para entender quais as suas reais expectativas de emagrecimento, pois cada organismo funciona de um jeito.

Benefícios da Dieta Ravenna

  • Tem efeito detox, eliminando substâncias e toxinas que nosso corpo ingere ao longo do dia;
  • Melhora a concentração;
  • Inibe o apetite, pois determina uma distância específica entre as refeições;
  • Evita compulsões alimentares, justamente por cortar intervalos curtos entre as refeições;
  • Regula o sistema digestivo, uma vez que períodos exatos de tempo e quantidade de alimentos ajudam no processo de digestão de alimentos;
  • Ajuda no controle da pressão arterial, uma vez que o controle da gordura ingerida (e consequentemente também do peso corporal) também ajuda a fazer com que a pressão desacelere e se estabilize mais facilmente;
  • Promove queima de gorduras já no curto prazo, uma vez que a dieta baseada em alimentos pouco calóricos e aliada à prática de exercícios facilita o emagrecimento e a queima de gorduras

E as desvantagens?

  • Por ser caracterizada justamente pela dieta de baixas calorias, essa mudança pode ser difícil para algumas pessoas que estão acostumadas com um consumo calórico e energético mais elevado. A redução das calorias ingeridas diariamente, inclusive, ajuda a melhorar até mesmo o funcionamento do metabolismo;
  • Existem algumas restrições alimentares na Dieta Ravenna, como acontece na maioria das dietas. Por causa disso, pode ser que algumas pessoas se sintam presas a determinados grupos alimentares e achem que a dieta oferece pouca variedade nos alimentos ingeridos;