Dieta da USP: como funciona regime de 7 dias, seus benefícios e desvantagens

24 de abril de 2018

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POR Bruno Botelho dos Santos

Quantas vezes você viu por aí em revistas ou em sites matérias que recomendam as tais “dietas milagrosas”? O famoso “emagreça 10 quilos em 1 semana” e por aí vai. Uma das que surgiram recentemente foi a Dieta da USP. Ela consiste em um plano de emagrecimento hipocalórico (ou seja, com baixa ingestão de calorias) à base de proteínas e gorduras. A dieta tem duração de 7 dias e praticamente elimina os carboidratos do cardápio.

E ao contrário do que o nome possa sugerir, essa dieta não é realmente da Universidade de São Paulo, a USP. Inclusive, mais do que não assumir a autoria, a universidade aconselha as pessoas a não seguirem esse plano de emagrecimento, justamente por entender que ele não segue as boas práticas das dietas saudáveis.

Então por que leva o nome da USP? Uma das hipóteses mais prováveis é que provavelmente o autor da dieta se aproveitou do renome da universidade — que é instituição de ensino público do país e uma das mais prestigiadas da América Latina –, para dar mais autoridade ao método e conquistar adeptos.

Mas você pode se perguntar: “eu vi como a dieta funciona e ela realmente faz perder peso, então por que não devo fazê-la?”.

Bem, em primeiro lugar nenhuma dieta que promete emagrecer uma quantidade considerável de peso em apenas uma semana pode ser chamada de dieta saudável. O emagrecimento é um processo contínuo e deve ser seguido da maneira correta justamente para que o peso não volte depois. Para isso, porém, é necessário fazer uma reeducação alimentar. Milagres não existem — pelo menos não sem consequências futuras para a saúde.

Alguns grupos de pessoas em especial estão contraindicados para fazer a Dieta da USP. São eles:

  • Pessoas com diabetes, principalmente a diabetes tipo 2;
  • Pessoas que façam uso de algum tipo de medicação temporária, esporádica ou diária;
  • Pessoas com hipotireoidismo;
  • Pessoas que tenham problemas endócrinos ou no controle de glicemia.

Como a Dieta da USP é feita

Em linhas gerais, a Dieta da USP consiste em um programa agressivo de emagrecimento que dura somente 7 dias. Durante esse período, o adepto deve seguir à risca o cardápio, que traz baixa quantidade de carboidratos e altos índices de proteína e gordura.

Depois de completada a primeira semana de dieta, o guia da dieta permite que ela seja mantida por mais 7 dias. Porém, o recomendado é que ela não ultrapasse os 14 dias consecutivos. Segundo o autor, é necessário dar um descanso para o corpo antes de retomar a dieta.

Exemplos do que pode e do que não pode comer

  • Carboidratos: pães, massas, batatas, farinhas, arroz, aveia, milho, barra de cereal;
  • Proteínas: carnes, ovos, peixes, embutidos e leite integral e derivados do leite;
  • Gorduras: carnes, azeite, sorvete e oleaginosas

Água, café e chá são permitidos em todos os dia da dieta e agrião, chicória e alface são as únicas verduras com consumo permitido.

A dieta funciona ou não?

A dieta da USP, com seu método restrito e hipocalórico, realmente leva à perda de peso no curto prazo.

Apesar disso, ela não consiste em um plano de reeducação alimentar, ou seja, a pessoa que precisa perder peso não aprende a comer melhor e não consegue manter os bons resultados na balança para a vida toda.

Além disso, como a ingestão de alimentos é restrita, pode ocorrer também a perda de massa magra (que dá uma falsa ideia de emagrecimento) por causa dos níveis baixos ou nulos de carboidratos presentes no cardápio.

Da mesma forma, a Dieta da USP é inimiga dos praticantes de atividade física, que precisam ingerir carboidratos para ter energia no treino.

Benefícios da Dieta da USP

  • Emagrecimento rápido;
  • Redução e controle da pressão arterial;
  • Prolonga sensação de saciedade;
  • Evita retenção de líquidos;
  • Ajuda no funcionamento do sistema digestivo.

Desvantagens da Dieta da USP

  • Não faz a reeducação alimentar;
  • É uma dieta de curto prazo, portanto não surte o efeito desejado para toda a vida;
  • O excesso de proteínas pode ser prejudicial aos rins;
  • Pode provocar efeitos colaterais, como dores de cabeça, mau humor, estresse, tonturas e fraqueza muscular;
  • Queima de músculos, não de gorduras;
  • Pode dar falsa impressão de emagrecimento;
  • Aumenta o risco de problemas cardíacos;
  • Inviabiliza a prática de atividades físicas.