Cirurgia bariátrica: tipos, indicações, recuperação e preços

30 de julho de 2019

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POR Mariana Amorim

Foi na década de 1990 que começaram a surgir cirurgias para o tratamento da obesidade, segundo informações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Já a disseminação aconteceu em meados dos anos 2000, com a famosa laparoscopia, que apresenta menos risco e uma recuperação mais rápida do que outras técnicas.

O Brasil conquistou o segundo lugar no ranking de quantidade de bariátricas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. E é provável que não perca lugar no pódio, já que a obesidade tem tido um avanço considerável por aqui, conforme dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde. Segundo ela, a obesidade aumentou 67% entre 2006 e 2018, passando de 11,8% para 19,8%.

Confira mais informações sobre as cirurgias bariátricas, seus prós e contras, quem pode ou não fazer e mais.

O que é cirurgia bariátrica?

Cirurgia bariátrica é um procedimento que consiste na diminuição do estômago e/ou do intestino para ajudar o paciente na perda de peso e, assim, brecar o avanço da obesidade e de doenças associadas ao excesso de gordura corporal, como diabetes e hipertensão.

Tipos de cirurgia bariátrica

Bypass Gástrico

O bypass é muito popular no Brasil para o tratamento cirúrgico da obesidade e corresponde a 75% das intervenções do gênero.

Nele, há grampeamento de parte do estômago, a fim de limitar o espaço para alimentos, e desvio do intestino para estimular sua atividade, promovendo aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome.

“Trata-se de um método seguro e eficaz que pode ajudar pacientes a perder até 80% do excesso de peso inicial”, afirma o gastrocirugião Eduardo Grecco, endoscopista bariátrico do Instituto EndoVitta.

Gastrectomia vertical

Na gastrectomia vertical ou sleeve, o estômago se transforma em uma espécie de tubo que suporta entre 150 ml e 200 ml. Isto é, reduz drasticamente a capacidade de armazenamento de comida no estômago.

É uma cirurgia feita há mais de duas décadas e que, além de ter bons resultados no controle do peso dos pacientes, combate a hipertensão e doenças como colesterol alto e triglicérides.

Bariátrica em cápsulas

Já existe uma pílula que ao ser introduzida se transforma em um balão intragástrico com a promessa de resultados semelhantes ao de uma redução de estômago, mas sem a invasão de um procedimento cirúrgico, conforme divulgou recentemente o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS). A pílula nada mais é do que, na realidade, três balões que ajudariam no processo de perda de peso.

Duodenal Switch

Criada no fim dos anos 1970, a técnica é pouco popular aqui, sendo usada em apenas 5% das bariátricas no Brasil. Trata-se de um procedimento que consiste na retirada de 60% do estômago, mas que mantém a anatomia básica e fisiologia de esvaziamento do órgão. O método também conta com o desvio intestinal, que reduz a absorção dos nutrientes, levando ao emagrecimento.

Cirurgia laparoscópica

Trata-se de uma das maiores evoluções tecnológicas da Medicina por ser um método “minimamente invasivo” e aplicável tanto na cirurgia bariátrica como em outros casos, como a retirada de vesícula.

Nesta técnica, a operação é realizada com pequenos cortes em locais estratégicos, nos quais se introduz longas pinças cirúrgicas, com câmeras acopladas e se realiza o procedimento por meio de uma televisão ou monitor cirúrgico.

Há menos incômodo no pós-operatório, menor índice de infecção, rápido retorno às atividades laborais, menor incidência de hérnias incisionais, além de o procedimento ser esteticamente superior.

Indicações

A bariátrica é indicada para quem tem índice de massa corporal (IMC (abre numa nova aba)" href="https://www.ativosaude.com/calculadora-de-imc/" target="_blank">IMC) maior ou igual a 50 Kg/m², com ou sem doenças associadas.

Quem tem IMC maior ou igual a 40 Kg/m², com ou sem comorbidades, esteve em tratamento para obesidade por pelo menos dois anos e não obteve sucesso também pode ter indicação.

Pessoas com IMC maior do que 35 Kg/m² e com comorbidades, como diabetes mellitus, apneia do sono, doenças articulares e degenerativas, podem ter indicação para a redução de estômago.

Como é feita?

Preparo

Quando um indivíduo coloca na cabeça que deseja fazer uma cirurgia bariátrica nem sempre é tão simples quanto parece. Geralmente, o endocrinologista indica a intervenção somente em último caso, após perceber que o paciente está estável emocionalmente e que outros profissionais multidisciplinares estão de acordo com a decisão, como cardiologista, psiquiatra, psicólogo e nutricionista.

Isso ocorre porque não é raro ver pessoas que se submeteram a essa cirurgia invasiva retornarem ao peso anterior, visto que o sobrepeso muitas vezes está relacionado a compulsões emocionais que não cessam com a bariátrica.

Além disso, pós e contras devem ser postos na balança, ou seja, se os riscos do procedimento forem menores que os de continuar com uma condição de saúde ruim, a cirurgia é indicada.

Visto isso, quem foi liberado pelo médico para seguir em frente deve fazer exames pré-operatórios, como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e hemograma.

Procedimento

O procedimento varia de acordo com a técnica escolhida para cada caso. No entanto, costuma durar entre 1h30 e 3 horas.

Dependendo do estado de saúde do paciente e das doenças associadas, é comum que ele precise ser assistido em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nas primeiras 24 horas.

A alimentação acontece no primeiro dia após a operação de redução de peso, com comida líquida e fracionada.

Recuperação

A recuperação é uma das fases mais delicadas para quem se submete à cirurgia bariátrica. Isso porque, segundo especialistas, o que mais assusta é a mudança de hábitos que acontece de forma brusca.

O paciente precisa manter alimentação líquida de 7 a 10 dias, passando para as texturas cremosas até o findar do primeiro mês pós cirurgia. Depois, acontece a transição para comida normal.

Como o estômago fica menor após a bariátrica, o psicológico do paciente pode demorar a entender que não deve exagerar nas refeições, o que torna o consumo inicial de comida pastosa um grande desafio.

Desde a primeira semana, deve mantida a suplementação de vitaminas, que deve perdurar por muitos anos ou talvez a vida inteira. O médico pode prescrever ainda antiácidos para diminuir formação de úlceras no estômago.

Dói?

A recuperação da cirurgia bariátrica pode ser mais ou menos dolorida, de acordo com a técnica escolhida.

Antes e depois

Os pacientes chegam eliminar em torno de 10% do peso inicial, sendo que o emagrecimento costuma perdurar por até um ano e meio depois da cirurgia.

Vale lembrar que é necessário continuar um tratamento multidisciplinar para alcançar resultados, com atividade física e alimentação balanceada.

No entanto, também é comum que indivíduos que fizeram a redução do estômago precisem posteriormente apostar em cirurgias plásticas para reparar sobras de pele, como a abdominoplastia, visto que a flacidez pode causar desconforto e baixa autoestima no paciente e, muitas vezes, é responsável por assaduras graves.

Contraindicações

Algumas condições contraindicam uma pessoa a fazer tanto a bariátrica quanto qualquer outro procedimento cirúrgico, como doença cardiopulmonar grave que impacte a relação risco-benefício.

Portadores de doenças imunológicas ou inflamatórias do trato digestivo também são contraindicados, pois podem ter sangramento digestivo.

Riscos

Ainda que raras, a cirurgia pode gerar complicações, como infecções, tromboembolismo, obstrução intestinal, hérnia no local do corte e pneumonia.

Onde fazer?

No Sistema Único de Saúde (SUS), 75 hospitais estão habilitados para atendimento de pessoas com obesidade, em 21 estados:

  • Acre
  • Alagoas
  • Bahia
  • Ceará
  • Distrito Federal
  • Espírito Santo
  • Maranhão
  • Mato Grosso
  • Mato Grosso do Sul
  • Minas Gerais
  • Pará
  • Paraíba
  • Paraná
  • Pernambuco
  • Rio de Janeiro
  • Rio Grande do Norte
  • Rio Grande do Sul
  • Santa Catarina
  • São Paulo
  • Sergipe
  • Tocantins

Para fazer bariátrica no SUS, informe-se no posto de saúde mais próximo para ter mais orientações sobre como proceder.

Também é possível fazer a bariátrica por planos de saúde ou pelo pagamento particular, quando houver indicação formal do médico.

Qual médico faz a cirurgia?

A bariátrica é feita por cirurgião geral e bariátrico.

Preço

O preço da cirurgia bariátrica varia de acordo com o método escolhido pelo médico, mas os valores começam wm R$ 15 mil e podem chegar a R$ 40 mil.

Fontes

Gastrocirugião Eduardo Grecco, endoscopista bariátrico do Instituto EndoVitta – CRM 97960/SP