Gorduras podem ser aliadas contra a depressão

Atualizado em 09 de agosto de 2019

|

POR Camila Brogliato Ribeiro

Até bem pouco tempo atrás, era quase consenso que devíamos evitar o consumo de gorduras e colesterol para preservar o coração e vivermos mais saudáveis. Comer gordura demais, segundo os especialistas, poderia causar problemas sérios de saúde. No entanto, a relação entre depressão e alimentação começa a mostrar que é preciso relativizar essa máxima.

Colocar a gordura como a grande vilã dos tempos modernos pode ter se tornado, em partes, um dos fatores para o aumento da depressão entre os norte-americanos. É o que defende o estudo publicado no Journal of Psychiatry & Neuroscience. Segundo esse estudo, níveis muito baixos de colesterol no sangue – potencialmente causados pelo consumo inadequado de gorduras na dieta – parecem estar associados ao surgimento de depressão, com consequências alarmantes como o suicídio.

O estudo: qual a relação entre depressão e alimentação?

No estudo, as pessoas com níveis mais baixos de colesterol tinham 112% mais chances de ter pensamentos suicidas. Mas por quê? Uma teoria: nosso cérebro é feito de 60% de gordura; cerca de 25% do colesterol encontrado no nosso organismo está lá.

Sem o consumo adequado de gorduras, as funções cerebrais não funcionam 100%. Alguns estudos, inclusive, mostraram que níveis baixos de colesterol prejudicam efetivamente a capacidade de sintetizar e transportar neurotransmissores de aumento de humor, como a serotonina.

Isso não significa que você precisa começar a comer hambúrgueres, batatas fritas e manteiga. Escolher os alimentos que tenham as chamadas “gorduras boas” pode ajudar a evitar a depressão e ainda contribuir para o desempenho esportivo.

Depressão e alimentação estão conectadas. Consumir gorduras boas auxilia na saúde mental e elas devem corresponder de 25% a 35% de suas calorias – cerca de 55g a 78g em uma dieta de 2.000 calorias por dia, por exemplo.

No entanto, vale lembrar que não é só a alimentação a responsável por sentimentos de depressão ou de felicidade. Histórico familiar, medicamentos ou outros fatores podem contribuir para esses quadros. Uma análise médica individual é necessária para descobrir se a depressão é decorrente de falta de nutrientes ou de outros fatores

Gorduras boas

Quais as gorduras consideradas “boas” para que o cérebro não fique carente? Ômega-3 é uma delas. Este nutriente é altamente concentrado no cérebro e ajuda a aumentar os níveis de colesterol bom (HDL). E a falta de Ômega-3 em adultos já foi relacionada em muitos estudos a alterações de humor e depressão.

Peixes gordurosos como o atum, salmão e sardinhas são ricos em Ômega-3; ovos, chia, sementes de cânhamo e óleo de linhaça também. Alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas como abacates, amêndoas e azeite de oliva são outras fontes de gorduras boas que ajudam a melhorar as funções cognitivas e cerebrais.

Exercício físico no combate à depressão

Vale lembrar que o esporte também faz parte dessa equação para uma vida mais saudável. Em muitos casos, a prática de um esporte é uma das aliadas na luta contra a depressão. Então, invista em uma alimentação balanceada e pratique esporte regularmente. Mova-se para ser mais feliz.