Insônia: sintomas, causas e remédios para dormir bem

06 de março de 2018

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POR Bruno Botelho dos Santos

Apesar de ser um dos distúrbios do sono mais comuns que existem, nem todo mundo sabe o que é insônia. Esse problema de saúde é crônico e caracterizado por dificuldade intensa em dormir e manter o sono.

A insônia chega a atingir até 15% dos adultos, sendo mais frequente nas mulheres, e não costuma se manifestar isoladamente. Isso porque muitas pessoas que a têm também apresentam outros problemas, como depressão e ansiedade.

É por esta razão que é tão fácil confundir insônia com outras doenças. Porém, vamos ajudar a tirar todas as dúvidas sobre o assunto. Confira:

O que é insônia?

Insônia é um distúrbio do sono caracterizado pela dificuldade ou incapacidade em adormecer e manter o sono. É um transtorno extremamente comum – atinge 1 em cada 5 adultos –, e sua frequência costuma variar de acordo com cada pessoa.

Não é raro que a própria insônia esteja relacionada a algum problema complexo, como ansiedade e depressão. Nesses casos, surge em um determinado momento da vida, geralmente por causa da antecipação a algum evento importante ou estresse inevitável.

Em outros, trata-se de um problema crônico, que pode durar por algum tempo e requer tratamento contínuo.

As pessoas que sofrem com esse distúrbio do sono costumam se sentir muito cansadas ao longo do dia, além de apresentarem oscilações de humor e indisposição com mais facilidade. Tudo isso pode afetar o desempenho profissional e a qualidade da vida pessoal como um todo.

Causas

As causas mais comuns para o distúrbio são:

Fatores de risco

Alguns fatores podem contribuir para que uma pessoa apresente insônia. Veja quem tem mais chances de ter o problema:

  • Sexo feminino: as alterações hormonais durante o ciclo menstrual ou o climatério (período que antecede a menopausa podem causar problemas na hora de dormir. Grávidas também podem apresentar essas mesmas dificuldades no decorrer da gestação;
  • Pessoas com transtornos mentais: quem já tem algum problema de saúde mental, como depressão, ansiedade, transtorno de bipolaridade, TDAH e transtorno de estresse pós-traumático, entre outros, também têm mais chances de ter o distúrbio do sono;
  • Estresse: o próprio estresse, independentemente de estar acompanhado de algum transtorno mental, também é um fator de risco para a insônia;
  • Idosos: pessoas com mais de 60 anos costumam apresentar mudanças no sono naturalmente;
  • Trocas frequentes de fuso horário: muito comum entre pessoas que vivem viajando de avião;
  • Trabalho noturno prévio: quem já trabalhou em períodos noturnos e hoje está vivenciando mudanças na rotina, tendo que trabalhar durante o dia, também pode ter mais chances de ter insônia.

Sinais e sintomas

Embora a insônia também possa ser considerada um sintoma de outros problemas, ela própria apresenta alguns sinais associados que podem ajudar no diagnóstico:

  • Dificuldade para dormir
  • Acordar durante a noite ou muito cedo
  • Não sentir que descansou mesmo após dormir
  • Falta de concentração
  • Fadiga e/ou sono durante o dia
  • Lentidão durante a realização de atividades
  • Problemas de memória
  • Problemas na coordenação motora
  • Problemas gastrointestinais, como diarreia, prisão de ventre e vômitos
  • Dores de cabeça
  • Irritabilidade frequente
  • Sintomas de ansiedade e depressão mais acentuados

Uma pessoa com insônia muitas vezes acaba levando bastante tempo para conseguir dormir e o tempo de sono costuma ser menor e inconstante.

Qual a relação da insônia com a depressão?

A insônia é um distúrbio bastante comum em pacientes com quadro de depressão. Da mesma forma, tanto as alterações no sono quanto a depressão podem ser tratadas com a administração de antidepressivos com efeito mais sedativo. Em alguns casos, porém, podem ser necessários medicamentos específicos para dormir. 

Um estudo, publicado no periódico científico The Lancet Psychiatry, mostrou uma análise muito importante sobre o conhecimento da insônia. Isso porque, até então, distúrbios de sono sempre foram vistos apenas como um sintoma de outros problemas. Segundo a pesquisa, a insônia pode ser na verdade a razão para o surgimento de problemas de saúde mental. Isso aconteceria porque o problema não permite que o cérebro possa processar novas memórias adquiridas e organizar as lembranças mais antigas.

Por isso, não é raro ver que este quadro leva as pessoas a apresentarem pensamentos negativos e repetitivos com frequência.

Diagnóstico

Para investigar quadros relacionados à falta de sono, uma consulta com um neurologista é imprescindível. Dependendo do grau de complexidade do problema, um psiquiatra também pode ajudar no diagnóstico.

Tem cura?

Para a felicidade de quem sofre com o problema, insônia tem cura. O problema pode ser resolvido a partir de acompanhamento e tratamento especializado, além de mudanças na rotina que garantem mais qualidade de vida.

Tratamento

O tratamento para o distúrbio do sono consiste na administração de medicamentos para dormir. Em paralelo, a psicoterapia é responsável por identificar e tratar as causas, eliminando-as para permitir o fim do tratamento medicamentoso.

Como prevenir?

Mesmo sendo um imprevisível e inesperado, pode ser prevenido a partir da mudança em hábitos cotidianos, como:

  • Adotar horários regulares de sono;
  • Evitar dormir durante o dia;
  • Fazer atividade física durante manhã e tarde;
  • Evitar bebidas com cafeína à noite;
  • Consumir alimentos leves no jantar;
  • Diminuir a exposição à luz durante a noite;
  • Fazer atividade relaxantes antes de dormir, como tomar banho morno, ouvir músicas calmas e meditar.