Babosa: benefícios, efeitos colaterais e como usar no cabelo, rosto e mais

21 de novembro de 2018

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POR Manuela Sampaio

Aloe vera ou babosa é uma planta da família Aloe utilizada há milhares de anos devido a suas propriedades medicinais. Na parte interna de suas longas folhas é encontrado um gel que é amplamente usado em tratamentos para pele e cabelos. Da parte mais externa, se extrai um suco que se tornou popular, mas tem efeitos tóxicos ao organismo. Saiba tudo sobre a planta antes de colocá-la em sua rotina.

Benefícios da babosa

A nutricionista Karol Coelho (CRN 45318) explica que a Aloe Vera é uma planta medicinal muito utilizada na indústria farmacêutica.

No entanto, ela ressalta que seu uso na alimentação não é recomendado pois há substâncias tóxicas que podem causar diferentes efeitos colaterais. Além disso, muitos dos benefícios da planta ainda estão em investigação e, deste modo, não foram comprovados.

Propriedades laxativas

Além de cremes e pomadas com ação anti-inflamatória, cicatrizante e analgésica, há componentes da aloe vera em laxantes feitos em farmácias de manipulação – é a aloína presente na planta que possui esse efeito.

Antioxidante

Há ainda propriedades antioxidantes, ou seja, que combatem os radicais livres que prejudicam células saudáveis e, com isso, aumentam o risco de doenças como câncer.

Um estudo realizado pela Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, na Espanha, identificou 18 componentes fenólicos no extrato das folhas e flores da babosa que possuem atividade antioxidante.

Propriedades antidiabéticas

Uma revisão publicada pelo The British Journal of General Practice descreve que o consumo de aloe vera pode ser um bom coadjuvante para reduzir a glicemia em pacientes com diabetes, assim como para diminuir os níveis de gordura no sangue em pessoas com hiperlipidemia – doença caracterizada pelo excesso de gordura no organismo.

Atividade anti-inflamatória, analgésica e cicatrizante

A atividade anti-inflamatória e cicatrizante da babosa está relacionada a algumas substâncias nela presentes, entre elas um polissacarídeo chamado acemanana, de acordo com estudo publicado em 2014 na Revista Brasileira de Plantas Medicinais.

Uma revisão publicada no periódico científico Giornale Italiano di Dermatologia e Venereologia concluiu que a babosa pode ser efetiva no tratamento de herpes genital, psoríase, HPV, dermatite seborreica, estomatite, líquen plano, queimadura, feridas, inflamação, exposição a frio extremo e como agente antifúngico.

Para que serve babosa?

 

Gel de Aloe Vera.

xuanhuongho/IStock

Atualmente, o uso da babosa está muito relacionado a cosméticos, xampus, condicionadores, produtos e medicamentos para a pele.

A dermatologista Kaliandra Vanni Cainelli explica que a planta é utilizada para pele, cabelos e unhas não apenas para hidratar, mas também para promover ação calmante e cicatrizante,

Como usar babosa?

No rosto

Além de cremes e máscaras, é possível usar o gel da planta diretamente no corpo, mas para isso são necessários alguns cuidados, como recomenda a dermatologista.

Primeiro, certifique-se de não usar a “casca” da folha, que tem efeitos tóxicos, mas apenas o gel de dentro.

Além disso, teste em uma pequena parte do corpo para se certificar de que não haverá alergia. Caso você já tenha histórico de reações alérgicas, redobre o cuidado e prefira versões industrializadas. O mesmo vale antes de aplicar a planta nos cabelos.

O gel da babosa pode ser misturado a cremes e máscaras para o rosto e, ainda, usado como esfoliante se acrescido de açúcar mascavo, por exemplo.

No cabelo

A médica recomenda misturar o gel de babosa com óleo de coco e, em seguida, aplicar de duas a três colheres nos cabelos. Deixe agir por alguns minutos e enxágue.

Na alimentação

Nos últimos anos, popularizou-se o suco de babosa e o chá de babosa com o intuito de obter benefícios à saúde. O consumo, no entanto, é controverso.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização de produtos alimentícios contendo Aloe em 2011. A resolução se deu porque não é comprovada a segurança ao tomar essas bebidas e alguns efeitos colaterais já foram relatados, como alterações no fígado, insuficiência renal aguda e diminuição dos hormônios tireoideanos.

Contraindicações e efeitos colaterais

Uso oral

O uso da babosa na alimentação não é recomendado e pode causar diversos efeitos colaterais. Isso se deve à presença de substâncias tóxicas na parte externa da planta, a “casca”, de onde é extraído o suco de aloe vera.

Entre os efeitos colaterais descritos estão inflamações intestinais, toxicidade hepática, hipotireoidismo, inflamação renal, hepatite aguda grave (decorrente do consumo de chá das folhas), insuficiência renal aguda, entre outros.

Uso tópico

De acordo com estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Plantas Medicinais, há relatos na literatura de casos em que houve dermatite de contato e sensação de queimação pelo uso tópico de gel da Aloe vera. O efeito provavelmente é decorrente da presença de resíduos da substância tóxica antraquinona no gel.

Como plantar babosa?

Você vai precisar de solo permeável, bem drenado e fofo. Em média, é bom deixar um espaço de um metro para a planta crescer. Se for usar um vaso, opte por um bem amplo.

Realize o plantio com uma folha ou um broto. Caso use a folha, faça um corte em sua base e espere alguns dias até que forme um “filme” na parte cortada. Depois disso, enterre cerca de ⅓ de seu tamanho. Se for usar um broto, faça um furo na terra e coloque o broto nele, certificando-se de cobrir as raízes e ¼ da planta.

A babosa não precisa de muita água e não tem afinidade com solo encharcado. Regue quando estiver completamente seca.

Onde comprar?

Se não quiser plantar, você pode encontrar as folhas da babosa em mercados e lojas de jardinagem. É possível encontrar o gel da babosa pronto para uso em lojas de cosméticos, neste caso certifique-se que o produto tenha registro na Anvisa.

Fontes

Nutricionista Karol Coelho – CRN 45318

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Informe Técnico nº. 47, de 16 de novembro de 2011. Disponível em: portal.anvisa.gov.br/documents/33916/388729/Informe+T%C3%A9cnico+n%C2%BA+47%2C+de+16+de+novembro+de+2011/50b823c4-dd95-48cc-9d03-49c37ed103fc