Gastroplastia endoscópica: nova “bariátrica” é menos invasiva

Gastroplastia endoscópica é uma técnica nova para o tratamento da obesidade que apresenta durabilidade de dois anos com bons resultados de perda de peso. Saiba mais sobre ela:

Gastroplastia endoscópica: o que é?

Obesidade é uma doença endêmica em todo o mundo, sendo o Brasil um país intimamente acometido por ela. Apenas 1% da população tem acesso ao método cirúrgico para redução de peso e ainda existe uma grande zona de penumbra que envolve pacientes que não obtêm melhorias por medicamentos, mas não estão em estado tão grave a ponto de serem indicados à bariátrica.

Neste contexto, o procedimento, denominado gastroplastia endoscópica, é menos invasivo e possibilita o tratamento e o controle da obesidade leve, inclusive em adolescentes e idosos. O candidato adequado é aquele que possui obesidade grau I e II — que normalmente não são aptos às cirurgias —, portadores de obesidade mórbida que não possuem condições clínicas ou se recusam a se submeter à bariátrica.

Os resultados evidenciam uma perda de peso total em torno de 20% com os melhores resultados atingindo 25%, desde que o paciente adote a reeducação alimentar e pratique atividades físicas.

A gastroplastia endoscópica tem durabilidade de dois anos, com possibilidade de repetição do procedimento quando necessário pois os maus hábitos alimentares em longo prazo podem determinar mudanças nas configurações iniciais da tubulização do estômago.

Como é feita?

 

Exame de endoscopia.

flywish/Shutterstock

A técnica, por sua vez, implica na introdução de um tubo flexível pela boca, assim como acontece em um exame comum de endoscopia, só que sob anestesia geral em ambiente hospitalar. Com ampla visão do estômago, o endoscopista realiza suturas no órgão, deixando-o com a forma tubular.

O acompanhamento antes e depois do procedimento é feito em consultório, sendo recomendado o seguimento com equipe multidisciplinar formada por endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos, além de outros profissionais para casos específicos, como cirurgiões vasculares e bariátricos.

Os sintomas esperados no pós-operatório da gastroplastia endoscópica são dor abdominal leve a moderada na região epigástrica e rebordo costal, distensão abdominal, náuseas e raros vômitos; tais sintomas têm duração de cerca de 2 a 3 dias e são amenizados por meio de medicações previamente prescritas.

O aconselhamento nutricional antes e depois da cirurgia é importante devido às inúmeras alterações de hábitos alimentares que o paciente deve desenvolver para a garantia de sucesso da gastroplastia endoscópica. Além disso, tem como finalidade promover perda de peso inicial, reforçar a percepção de que o emagrecimento é possível quando o balanço energético se torna negativo, identificar erros e transtornos alimentares, promover expectativas reais e preparar o indivíduo para a alimentação no pós operatório.

Diferente da bariátrica, nesta técnica não existe mecanismos que prejudiquem a absorção de nutrientes, portanto não é obrigatória a suplementação vitamínica e proteica.

Mesmo após a recuperação, os pacientes deverão permanecer em acompanhamento com equipe multiprofissional. Se houver falha no tratamento é possível realizar novas reintervenções endoscópicas ou mesmo cirúrgicas.

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